A UEFA revelou hoje que o número de bilhetes falsos na final da Liga dos Campeões de futebol que já foram confirmados ascende a 2.600, um número muito inferior aos 35.000 ingressos avançados pelo ministro do Interior francês.

Gérald Darmanin tinha mantido perante o Senado o número avançado nos dias seguintes ao jogo entre Real Madrid e Liverpool, que o clube espanhol venceu por 1-0, mas um responsável da UEFA, organizadora da prova, rejeitou hoje, em audiência, que possa ter sido tão elevado.

“Sabemos que cerca de 2.600 bilhetes falsos chegaram até aos torniquetes, mas muitos não chegaram até lá. Quantos? Não sabemos e não poderemos ter a certeza. Mas não acreditamos que possa ter atingido o número avançado em França, de 30.000 a 40.000”, disse o diretor-geral de eventos da UEFA, Martin Kallen.

A final da Liga dos Campeões de 2021/22 foi marcada por várias falhas de segurança, o que motivou a abertura de um inquérito independente pela UEFA, liderado por Tiago Brandão Rodrigues, ex-ministro da Educação de Portugal, que Kallen estima poder estar concluído “entre dois e três meses”.

Em 28 de maio, a impossibilidade de encaminhar em tempo útil os espetadores munidos de bilhete válido levou ao atraso no início do jogo em 36 minutos, provocando situações caóticas no acesso ao recinto de Saint-Denis, nos arredores de Paris.

Empurrões, tentativas de entrada sem bilhete, adeptos tratados com brutalidade pelas forças de segurança, ou vítimas de roubo, foram testemunhados por quem se deslocou para o jogo. Alguns adeptos não conseguiram mesmo entrar, apesar de, alegadamente, terem bilhetes válidos.

“As causas são várias: greve dos transportes, reações erradas dos assistentes do recinto, das forças de segurança e um fluxo extremamente elevado junto ao estádio de pessoas sem bilhete ou com bilhete falso”, observou Kallen.

Tanto o governo francês como as autoridades britânicas não pouparam críticas, com o ministro francês do Interior a falar de uma "fraude maciça, industrial e organizada de bilhetes falsos" e o governo de Londres a pedir um "inquérito completo" sobre o sucedido, com conclusões públicas.

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