O Sporting empatou na noite desta quinta-feira com o Wolfsburgo (0-0), no Estádio de Alvalade, em partida da 2.ª mão dos 16-avos-de final da Liga Europa. Um bom duelo entre dois conjuntos com estilos e leituras do jogo bastante distintas. Os sportinguistas precisavam de três golos para passar depois de terem perdido na 1.ª volta por 2-0. Não conseguiram e só podem queixar-se de si próprios.

A turma de Alvalade chegou a sonhar. Mas sempre de pé atrás. Os adeptos mantinham uma esperança moderada num grande “leão” e acreditavam que era possível. Para isso era necessária uma noite que fizesse recordar os velhos tempos. Contudo, se tudo seguisse o que já se previa, ninguém ficava surpreendido.

O "leão" ainda esta numa fase de "crescimento". Prova disso é que chegou mesmo a pensar-se num Sporting igual ao de 1964, que deu uma reviravolta brilhante numa eliminatória diante do Manchester United. Eram os quartos de final da Taça das Taças e Osvaldo e companhia vulgarizaram um Manchester United que tinha George Best e Bobby Charlton. Ficou 5-0 após de terem perdido a 1.ª mão por 4-1. Nessa época acabou mesmo por vencer a competição.

Pedia-se um Sporting que lutasse pela vitória. Com garra e valentia. E foi o que aconteceu, contra um Wolfsburgo seguro de si, confiante e com tranquilidade suficiente para ser pragmático. Os germânicos sabiam que tinham de deitar mãos à obra. Fizeram-no e com qualidade. Sabiam portanto o que tinham de fazer: defender bem e apostar no contra-ataque pelas alas, fazendo um jogo mais direto.

Marco Silva surpreendeu ao retirar Montero e apostar em Tanaka, o japonês não esteve confortável a 9. Jogou bem (teve quatro grandes chances), mas as coisas não lhe saiam como queria (precisa de outro avançado ao lado). Já Jonathan substituiu Jefferson, castigado pela direção. Contudo, faltou o poder de fogo que só Slimani poderia dar.

Nani foi o espelho do Sporting, lutou muito e não teve medo de aparecer no jogo, fosse para cruzar ou rematar. Mostrou caráter, tal como a equipa. O internacional luso parece ter regressado às boas exibições após um período menos bom. O Sporting também teve qualidade e os 23.097 espetadores acreditaram.

O técnico tentou desposicionar o adversário com um jogo rápido de pé para pé e pediu aos extremos para aparecerem na área sempre que tivessem oportunidade. Nani fê-lo e teve a 1.ª situação de real perigo ao aparecer ao 2.º poste, falhando uma finalização que parecia fácil. Isto, numa altura em que o Wolfsburgo tentava afastar o perigo e respirar. Resumindo: queriam controlar a posse de bola e impor um ritmo mais lento e acabaram por ir aguentando.
Os extremos criavam perigo e, a espaços, Tanaka fugia ao radar dos defesas e criava problemas. Teve três oportunidades praticamente seguidas (35’, 38’ e 45’) mas Benaglio impediu o golo. Aí esteve um dos problemas do Sporting que sempre que alvejou a baliza: um muro chamado Diego Benaglio. E, quando o suíço não estava, apareciam os defesas.

Na 2.ª oportunidade do nipónico, Adrien falhou a recarga e João Mário rematou muito por cima da barra. Na 3.ª o guardião visitante voltou a dizer presente (puro instinto) e a bola acabou por ainda bater no poste. Algum azar para os "verdes e brancos". O público sofria mas gostava do que via. Rui Patrício não fez uma defesa e Dost foi anulado por Tobias Figueiredo e Paulo Oliveira. Está resumido 1.º tempo.

O treinador do Wolfsburgo, Dieter Hecking, percebeu o que tinha de fazer e acabou por deixar o jogo um bocado partido a meio-campo. Aumentou a pressão sobre os defesas e o Sporting começou a sentir mais dificuldades em sair com a bola controlada. De Bruyne, o mágico da equipa, empatou no número de tiros ao poste aos 54’. Arrancou desde o meio-campo e com a bola e só abrandou para a ver bater no ferro.

Aos 75’, Tanaka voltou a aparecer na área sozinho (após boa jogada coletiva) e viu Benaglio, rápido a sair da baliza, negar-lhe novamente o tento. Nas sobras, o japonês não soube decidir de imediato e os defesas depressa lhe encurtaram o espaço. Quis dominar o esférico e perdeu tempo. Inverteram-se os papéis na defensiva do 2.º classificado da Bundesliga.

O Wolfsburgo soube cerrar fileiras no 2.º período e congelar o jogo. Apesar de o Sporting se mostrar sempre mais espevitado, os alemães foram sempre mais serenos e rápidos a pressionar o portador da bola. Um empate com algum sabor, pois os homens de Alvalade apresentaram bom futebol antes de irem ao Estádio do Dragão, no próximo domingo (19h45).

À imagem do jogo, Marco Silva deu “os parabéns aos jogadores”, acrescentando depois: “podíamos ter goleado e conseguimos apenas um empate”. Já Hecking confessou “ter um grande guarda-redes” que lhes “salvou a vida”.

Nota final: Vieirinha, mais do que De Druyne, foi um extremo puro que cruzava para Dost e para o belga. O português trabalhou muito e ajudou a equipa e, com isso, acabou por não poder brilhar mais. Cruzou bem sempre que teve oportunidade e foi, tal como De Bruyne, a chave dos alemães para atacar: bola rapidamente nas alas para o contragolpe.

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