A Alemanha é tetracampeã do Mundo, depois de bater a Argentina na final do Mundial2014. Mario Goetze marcou, aos 113 minutos de jogo, o único golo do encontro disputado no mítico Maracanã. Os alemães terminam o Mundial do Brasil com seis vitórias e um empate. Messi viu o título que lhe falta no currículo "fugir pelos dedos". Um resultado menos mau para o Brasil, que não suportaria ver a arquirrival Argentina vencer na sua casa.

No mítico Maracanã, palco da final perdida pelo Brasil em 1950 para o Uruguai, Argentina e Alemanha procuravam desempatar em finais: no México1986 Maradona fez o passe para Burruchaga apontar o 3-2 final e no Itália1990 Andreas Brehme fez, de penálti, o golo da vitória frente a seleção das Pampas na final.

As duas seleções vinham de resultados diferentes nas meias-finais: a Mannschaft jogou 24 horas antes e goleou o Brasil por 7-1, a formação de Messi e companhia precisou dos penáltis para eliminar a Holanda, depois de 120 minutos de futebol.

O jogo também colocava em confronto duas equipas distintas na sua forma de jogar: a Alemanha a atuar em campo curto, com a defesa subida, muitos jogadores na zona central, praticando um futebol de toque curto, de muitos passes, quase sempre no meio-campo adversário (influência também do tiki-taka de Guardiola já que cinco jogadores do onze eram do Bayern Munique). Já a Argentina, jogando em 4-4-2, com linhas baixas, recuava, dando iniciativa de jogo a Alemanha, apostando mais em contra-ataque, para tirar partido dos velozes Lavezzi, Higuain e Messi.

O corredor direito era o preferido para os rápidos ataques da seleção das Pampas, muito por culpa de Lavezzi mas também de Messi que se encostava à direita para fazer diagonais. Em duas ocasiões (9´ e 40´), deu dois "bigodes" a Hummels, entrou na área em velocidade mas não apareceu ninguém para concluir as jogadas. Um aviso de que La Pulga não poderia ser deixado num um-para-um.

Mas a melhor oportunidade da formação de Sabella esteve nos pés de Higuain, aos 20 minutos. Kroos fez um atraso despropositado para a sua zona defensiva, onde estava o avançado do Nápoles sozinho. Recebeu, partiu em velocidade mas rematou mal, para fora, quando Neuer já se agigantava à sua frente.

O processo simples da Argentina para chegar a baliza de Neuer só não deu frutos aos 30 minutos porque Higuain estava adiantado. O cruzamento de Lavezzi é bom mas o avançado adiantou-se à defesa, pelo que o golo não contou. A Mannchaft já sabia que não poderia dar tanto espaço a jogadores tão velozes.

A Alemanha, que já tinha ameaçado por Klose (duas vezes) e Schurrle, vai estar perto do golo mesmo antes do intervalo, num cabeceamento de Howedes que foi devolvido pelo poste da baliza de Romero, após canto de Kroos. Era o fim de 45 minutos de muita intensidade, oportunidades de parte a parte, jogadas bonitas e muita festa nas bancadas, onde estavam 74.738 espetadores.

Sem as facilidades concedidas pelo Brasil nas meias-finais, Joachim Low sabia que tinha de encontrar um antídoto para furar a defensiva argentina. Depois de perder Khedira no aquecimento, o selecionador alemão viu o azar voltar a bater-lhe a porta quando teve de substituir Kramer, que jogou no lugar de Khedira. O jovem médio saiu magoado após encosto violento de Garay. Entrou Schurrle para o seu lugar.

No segundo tempo, Sabella puxou Enzo Pérez para o meio-campo, deixando apenas Aguero (entrou ao intervalo para o lugar de Lavezzi), Messi e Higuain na frente. A mexida deu resultados já que a Argentina conseguiu equilibrar o jogo na zona intermédia, criando dificuldades aos alemães. Messi teve boa oportunidade nos pés logo a abrir mas atirou ao lado. Foi a única oportunidade de golo da seleção das Pampas no segundo tempo.

A Argentina pagou o preço de ter menos um dia de descanso e de mais minutos nas pernas, já que foi perdendo frescura física, demorando mais tempo a organizar. A Alemanha continuava a ameaçar golo, embora sem criar verdadeiras oportunidades. Numa delas, Howedes ficou com pé preso num lance com Garay quando se preparava para rematar à baliza já na grande área. O árbitro Nicola Rizzoli não deu ouvidos aos protestos dos alemães que pediam penálti. Aos 82 Kroos atirou ao lado, após boa jogada de Ozil, no último suspiro antes do prolongamento. Sendo assim o Mundial2014 igualava o Itália90 como a Copa com mais jogos a irem para o tempo extra: 8.

Logo no primeiro minuto do tempo extra a Alemanha mostrou ao que vinha. Depois de uma combinação entre Mueller e Schurrle, o extremo do Chelsea atirou para boa defesa de Romero. Na recarga, Oezil rematou contra Garay. A resposta argentina chegou pelos pés de Palacios no final da 1.ª parte do prolongamento. Rojo cruzou tenso, Hummels falhou o corte mas o avançado do Inter, sozinho com Neuer, tentou o chapéu mas a bola saiu para fora.

Quando já todos esperavam pelos dramáticos penáltis, Goetze acabou com o sofrimento dos adeptos alemães, num golo que veio do banco, aos 113 minutos.

Schurrle acelerou pelo corredor esquerdo, arrastou três jogadores com ele mas ainda teve forças para cruzar para a área onde apareceu Goetze a dominar no peito e a rematar de primeira, de esquerdo, em vólei, fazendo um golaço. Demichelis não estava na sua zona, Garay demorou muito a perceber a movimentação do médio alemão. Nos sete minutos restantes a Argentina tentou chegar a igualdade mas faltou pernas e discernimento.

A Alemanha chega assim ao tetra em Mundiais de futebol, depois dos títulos em 1954, 1974 e 1990. Tal como há 24 anos, os alemães voltam a bater a seleção das Pampas na final de um Mundial pelo mesmo resultado.

Joachim Low, que tinha perdido ficado em terceiro no Mundial2010, perdido final do Euro2012 e ficado nas meias-finais do Euro2012, consegue chegar ao tão desejado título. Depois dos terceiros lugares em 2006 e 2010, a Mannchasft chega ao título, o primeiro ganho por uma seleção europeia na América do Sul.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Desporto. Diariamente. No seu email.

Notificações

SAPO Desporto sempre consigo. Vão vir "charters" de notificações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.