No mês passado, as autoridades russas levantaram a interdição imposta a Hajo Seppelt de entrar na Rússia para ir ao Mundial, mas afinal, o jornalista alemão não vai mesmo a Moscovo.

As agências alemãs responsáveis pela segurança analisaram a situação de Hajo Seppelt e decidiram que seria muito arriscado para o jornalista viajar até à Rússia depois de ter sido o responsável por denunciar o caso de doping no atletismo russo.

A ausência do jornalista foi divulgada pelo canal alemão ARD, onde foi transmitido em 2014 o documentário de Hajo Seppelt que denunciava um sistema de doping organizado na Rússia.

O caso

O jornalista alemão foi contactado por uma atleta russa, Yuliya Rusanova, e pelo marido, Vitaly Stepanov da Agência Russa Antidoping. A atleta tinha sido suspensa em 2013 depois de ter acusado substâncias ilegais num controlo. Yuliya contou a Seppelt que o doping na Rússia partia dos dirigentes e técnicos desportivos e que os atletas não tinham poder de decisão. Enquanto isso, a Federação Russa de Atletismo garantia que o esquema ficava em segredo ao pagar ao laboratório onde eram feitos os exames antidoping.

O jornalista recolheu depoimentos de Yuliya e de outros atletas envolvidos neste caso e fez o documentário “Top-Secret Doping” onde explicava todo o esquema montado em volta do atletismo russo. Depois disso a Agência Mundial Antidoping criou uma comissão para investigar o caso, que mais tarde concluiu que as denúncias eram verdadeiras.

Depois do documentário, o nome de Hajo Seppelt entrou numa lista de “pessoas indesejáveis” na Rússia e ficou assim impedido de entrar no país. Berlim apelou a Putin considerando que a decisão era um atentado à liberdade de imprensa e a Alemanha recorreu à FIFA.

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