Os testes com o vídeo-arbitro (VAR) realizados na Europa geraram alguma polémica, mas apesar das controvérsias, a International Board (IFAB), entidade que controla as regras do futebol, faz um balanço positivo, algo que deverá facilitar o uso da tecnologia no Mundial2018, a realizar-se no verão, na Rússia.

Desde março de 2016, o VAR foi utilizado em mais de 800 jogos com resultados positivos, garantiu a IFAB, que vai decidir em março se o sistema será utilizado no próximo mundial de futebol

"A filosofia inicial foi respeitada. Queríamos um mínimo de interferências no jogo e um máximo de benefícios", explicou um porta-voz da entidade durante conferência telefónica.

Em 8 por cento dos jogos, o VAR teve "um impacto decisivo no resultado final" e a cada quatro jogos "um impacto positivo", segundo o balanço.

Numa altura em que alguns protagonistas do mundo do futebol duvidam da eficácia do recurso por quebrar o ritmo e a fluidez do jogo, a IFAB indicou que o tempo perdido com recurso ao vídeo-arbitro representa menos de um por cento do tempo total da partida. O número é muito menor se comparado com o tempo desperdiçado com faltas, marcação de cantos e pontapés de baliza.

Os erros também são relativamente raros: apenas em cinco por cento dos casos analisados o vídeo deixou passar um erro claro e evidente. O número "é muito tranquilizador, tendo em conta o curto período de testes e os erros humanos inevitáveis", avaliou a entidade. A IFAB garante que o número de erros vai diminuir, a medida em que a experiência no uso do VAR dos árbitros aumente.

O vídeo-árbitro já foi testado em várias competições internacionais, como a Taça das Confederações, Primeira Liga portuguesa, Bundesliga, Serie A, Taça da França, Taça da Liga Inglesa... As reações foram diversas, desde elogios a tecnologia até ferozes opositores.

"No começo estava a favor, mas agora tenho dúvidas", explica à AFP o ex-árbitro francês Bruno Derrien. "Claro que o vídeo-árbitro vai ajudar os árbitros em certas situações, mas em outras as imagens vão revelar uma interpretação da jogada. Não condeno completamente, mas talvez seja cedo demais para ser usado no Mundial de futebol", avalia.

O alemão Bernd Heynemann é mais severo: "é simplesmente impossível que possa funcionar com apenas seis ou oito semanas de preparação".

O francês Joel Quiniou pede atenção para não "tirar a responsabilidade dos árbitros, porque é preciso ser prudente e não utilizar [o VAR] a todo o instante. Acho que o teste permitiu vermos os limites".

Outros apoiam o vídeo-árbitro sem limites, considerando que o recurso evita escândalos em grandes competições: "aqueles que não aceitaram o VAR vão acabar por aceitar. Não se pode voltar atrás agora", admitiu o presidente do sindicato de árbitros italianos, Marcello Nicchi.

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