Luís Filipe Vieira, está “sereno” e “tranquilo” à espera de ser ouvido pelo juiz de instrução criminal, disse hoje o advogado do presidente do Benfica, instantes após estar com o seu cliente, em Moscavide, no concelho Lisboa.

Magalhães e Silva falou à comunicação social, à saída do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), na véspera de “um grande dia em termos de tempo e acontecimentos”, mas repetiu que o seu cliente está “sereno” perante os acontecimentos que conduziram à sua detenção.

“Se está [ansioso], e é natural que esteja, não se nota”, assegurou Magalhães e Silva.

Questionado sobre as suas perspetivas relativamente ao processo que envolve o presidente dos ‘encarnados’, o causídico afirmou que mantém a mesma “firme convicção” nas palavras do seu cliente com que ficou após a audição parlamentar a Luís Filipe Viera, em 10 de maio.

“Em face do que foram essas declarações, só pode haver a mais completa tranquilidade”, reforçou Magalhães e Silva.

Luís Filipe Vieira vai ser ouvido na quinta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal, aonde irá comparecer com o seu advogado, que desconhecia, ainda, a hora designada para a audição.

O advogado já tinha estado com Luís Filipe Vieira “de manhã”, no decorrer das buscas da Polícia Judiciária, e “ao princípio da tarde”, e assumiu que os causídicos “nunca são apanhados de surpresa” quando exercem estas funções.

“Sempre se poderão passar coisas deste tipo e estamos preparados para acompanhar as pessoas quanto têm este tipo de incómodos”, afirmou.

Luís Filipe Vieira foi um dos quatro detidos no âmbito de uma investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros com prejuízos para o Estado.

Uma nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) indica que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizados cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

No comunicado do DCIAP, é indicado que os detidos são suspeitos de estarem envolvidos em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Em causa, adianta, estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de serem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes na quinta-feira a primeiro interrogatório judicial, com vista à aplicação de medidas coação, "com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas".