Uma cabeçada certeira de Marega aos 89 minutos deixou o FC Porto a um ponto do título. Os 'dragões' venceram o Marítimo no Caldeirão dos Barreiros, algo que não acontecia desde 2012, quando Vítor Pereira era o treinador da equipa (curiosamente, no último título do FC Porto). Quando faltam duas jornadas para o final da Liga, os 'dragões' até podem festejar no ‘sofá’ na próxima ronda na receção ao Feirense, se Sporting e Benfica empatarem no dérbi em Alvalade.

O jogo: Pressa (o) de ganhar ia deitando tudo a perder

O ditado popular 'a pressa é inimiga da perfeição' entrou em campo no domingo e tomou de assalto as mentes dos jogadores do FC Porto, num embate com muito coração, mas pouca cabeça. A pressa/pressão de ganhar era tanta que os jogadores azuis-e-brancos iam atalhando caminho para chegar à baliza de Amir, primeiro, e Charles depois, com passes longos para as costas da defensiva maritimista para Soares e Marega. A possibilidade de ficar a apenas um ponto do título ia 'consumindo' os 'dragões' em cada ação em campo, típica de uma equipa com muita fome de títulos.

Para quebrar a ‘malapata’ no Caldeirão, onde o FC Porto não vencia há seis épocas, Sérgio Conceição optou por Otávio em vez de Corona, puxando Marega para o corredor direito em muitas ocasiões, deixando que o brasileiro atuasse entrelinhas, na zona central, por pode também andava, às vezes, Brahimi. Só que, com isso, o FC Porto ia perdendo profundidade lateral, já que Alex Telles e Ricardo viam as suas subidas travadass pelos extremos maritimistas. Sempre bem organizado, com um bloco médio-baixo, e muita agressividade na pressão ao portador da bola, os homens de Daniel Ramos iam mantendo os 'dragões' longe da sua área.

A jogar por dentro, só por uma vez Brahimi conseguiu arranjar espaço, numa arrancada desde o seu meio-campo até a área, antes de soltar para Otávio que rematou contra a 'muralha' de pernas à frente da baliza de Amir. Pedia-se paciência, maior circulação de bola, mais assertividade, mas quando a construção de jogo começava nos centrais, Felipe e Marcano optavam sempre pelo passe longo e nunca pelos médios, algo que ajudava os defesas do Marítimo que, de frente, tinham mais hipóteses de ganhar a bola.

Conceição teve de mudar o posicionamento dos jogadores várias vezes para romper a estratégia maritimista e só quando se apanhou a jogar com mais um, após a expulsão de Amir, conseguiu criar algumas situações de o golo. Com o Marítimo encostado à sua área, a defender com tudo, os azuis-e-brancos iam criando alguns lances de golo, mas quase sempre no erro do adversário ou então através do poderio físico de Marega e Soares. Charles, que entrou para a baliza após a expulsão de Amir, ia negando os intentos azuis-e-brancos.

O Marítimo conseguiu engatar alguns contra-ataques quando o esteve 11 contra 11, sempre a sair com critério, a criar perigo, como se viu aos onze minutos quando Casillas negou o golo a Jean Cléber. Na segunda parte, o espanhol foi mais um espetador em campo. O último remate do Marítimo no jogo foi realizado aos 37 minutos do primeiro tempo.

O FC Porto tentava de todos os lados, forçava pelo meio, corredores, pelo ar, pelo chão, mas apanhou Tiquinho Soares numa noite para esquecer. Brahimi era dos melhores, mas até ele falhava nalgumas ocasiões. No segundo tempo o desespero era tanto que o FC Porto chegou aos 14 remates só nos segundos 45 minutos.

O que a tática e técnica não resolviam, haveria de ser resolvido pela força, um dos muitos requisitos deste FC Porto. Num dos muitos lances de bola parada, lá apareceu Marega a salvar a equipa, deixando os 'dragões' a um ponto do título... ou então festa no 'sofá', se Benfica e Sporting empatarem no dérbi da próxima ronda. O maliano chegou aos 22 golos na Liga, ele que é o melhor marcador do FC Porto na prova.

O FC Porto atingiu aos 82 pontos em 32 jogos (mais cinco que Sporting e Benfica) - a melhor pontuação desde 2002/03, com José Mourinho (82 pontos também) e chegou aos 79 golos. Desde 1998/99 (Fernando Santos era o treinador-82 golos) que não se via um ataque tão concretizar pelos lados do 'dragão'.

Momento-chave: Marega deixou o Caldeirão em ebulição

Quando já faltavam unhas para roer nas bancadas e o coração era quem mais ordenava em campo, um canto de Alex Telles (mais uma assistência) encontrou a cabeça de Marega para a euforia total, no relvado e nas bancadas. A partir daí só se ouvia 'Eu quero o Porto campeão'.

Polémica: Daniel Ramos pediu mão de Soares na expulsão de Amir

Aos 41 minutos o árbitro Carlos Xistra mostrou vermelho direto a Amir, após indicação do árbitro auxiliar e do vídeo-árbitro. Um passe longo de Sérgio Oliveira nas costas da defensiva madeirense foi ter com Tiquinho Soares que foi derrubado por Amir, ainda fora da área. A bola bate no braço do brasileiro, numa altura em que este estava a olhar para o guarda-redes do Marítimo, que saiu aos seus pés. Uma mão involuntária que Daniel Ramos achou que devia ser falta. Xistra assim não entendeu.

Os melhores: Marega e Brahimi, os mais esclarecidos

Do lado do FC Porto, Marega, pelo golo, merece destaque. Pode nem sempre decidir bem com a bola nos pés mas é um jogador fundamental na equipa. Desgasta defesas, arranca faltas e o que não se resolve pela técnica, resolve-se pela força. E aí poucos conseguem ombrear com o maliano.

Brahimi foi dos melhores. Muito apagado no primeiro tempo, apareceu melhor no segundo, com várias arrancadas pelo corredor esquerdo e alguns centros venenosos. Tentou sempre levar a equipa para a frente.

O Marítimo, pela forma como defendeu, também merece elogios. Com 11 para onze defendeu bem e mesmo a jogar com menos um, dificultou muito a tarefa azul-e-branca.

Nota ainda para o ambiente fantástico nos Barreiros, lotado, num mar azul-e-branco, mas também muitos adeptos do Marítimo, a puxarem pela equipa, que tenta chegar ao 5.º lugar.

Os piores: Porquê tantos nervos?

Passes falhados, muito jogo direto, cruzamentos para as bancadas... os nervos tomaram conta dos jogadores do FC Porto, em momentos que se pedia cabeça. Marega salvou a tarde/noite, mas, a jogar com mais um, esperava-se mais da equipa de Conceição.

Corona continua a merecer a confiança de Sérgio Conceição e ninguém percebe porquê. É inconsequente e chega a ser desesperante vê-lo em campo.

Reações: Casillas quer festejar o quanto Antes, Conceição pede respeito por Benfica e Sporting

Conceição: "Não há festa antecipada nenhuma. Temos muito respeito pelo Benfica e pelo Sporting"

Casillas: "Campeão no sofá ou em campo? Prefiro ganhar o quanto antes"

Daniel Ramos e a expulsão de Amir: "Soares ‘arranjou’ a bola com a mão antes do contacto"

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Desporto. Diariamente. No seu email.

Notificações

SAPO Desporto sempre consigo. Vão vir "charters" de notificações.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.