A única lista concorrente às eleições da Associação Nacional de Agentes de Futebol (ANAF), encabeçada por Artur Fernandes, foi eleita hoje, por unanimidade, para um mandato de dois anos (2012/2014), com a participação de 95 por cento dos agentes filiados.

O presidente da direção, Artur Fernandes, assume assim o quarto mandato consecutivo, sendo acompanhado pelos mesmos elementos da anterior gerência, de que fazem parte Jorge Mendes, Nuno Patrão, Rui Neno e António Teixeira (Direção), José Caldeira (presidente da Assembleia-Geral) e António Tavares (presidente do Conselho Fiscal).

A eleição foi antecedida de uma Assembleia-Geral (AG) da ANAF, na qual foram debatidos vários temas de interesse da classe, nomeadamente a criação da Casa das Transferências, a continuação da luta contra os agentes clandestinos, a preparação do processo de candidatura da ANAF a sócio da FPF, o protocolo com a Associação Nacional de Apoio à Pobreza (ANAP) e a necessidade da FPF e a Liga resolverem os problemas emergentes dos agentes.

«Não faz sentido a FPF e a Liga licenciarem os agentes e não resolverem os seus problemas», referiu à Agência Lusa Artur Fernandes, para quem aqueles dois organismos «deviam ter um papel mais ativo» nesse campo.

Entre esses problemas, o presidente da ANAF, que aproveitou a AG para anunciar que foi nomeado pelo Governo para embaixador para a Ética do Desporto, destaca «o combate aos agentes clandestinos, o acesso direto dos agentes aos recintos desportivos e a criação da Casa das Transferências no âmbito de uma parceria entre a FPF, a Liga e a ANAF».

Sobre esta, Artur Fernandes esclareceu tratar-se de uma instituição a criar, à semelhança do que acontece em Inglaterra e França, «com o objetivo de controlar os fluxos financeiros entre os todos os agentes do futebol, investidores, clubes, jogadores e agentes», nomeadamente «ao nível de comissões, direitos económicos, compensações por formação de jogadores», etc.

Essa Casa das Transferências seria, segundo Artur Fernandes, integrada na estrutura da FPF, com supervisão do Governo e o controlo por parte da Federação, da Liga e da ANAF, que nela se fariam representar.

«Se um jornalista quiser obter informações sobre os direitos económicos de A, B ou C, passará a ter um acesso direto às mesmas, sem necessidade de fazer um exaustivo trabalho de sapa», exemplifica Artur Fernandes, considerando a iniciativa como uma medida de «transparência, credibilidade e compromisso».

Em relação ao controlo dos agentes clandestinos, sugere que « jogadores e clubes que contratem pessoas não licenciadas sejam severamente punidos», dando como exemplo a tese segundo a qual «muita gente pode saber conduzir, mas só anda na estrada quem tem a carta de condução».

Segundo Artur Fernandes, há 66 agentes licenciados pela FPF e FIFA e só estes estão em condições de fazer parte de todas as operações de transferências de jogadores em Portugal.

Quanto à ambição da ANAF ganhar o estatuto de sócio da FPF e ter assento nas respetivas assembleias-gerais, Artur Fernandes fez saber que vai iniciar o processo de candidatura, visto que «não faz sentido que os agentes sejam parte integrante do edifício futebolístico e não tenham voz ativa no seio da FPF», sendo por estas licenciados.

«Vamos formalizar nos próximos meses uma candidatura bem sustentada, na convicção de que os sócios ordinários vão compreender o papel dos agentes», disse Artur Fernandes, lembrando que estes «geraram nos últimos doze anos cerca de 750 milhões de euros» e que «têm promovido o futebol português no mundo».

Finalmente, na esfera social, o presidente da direção da ANAF promete «um apoio sistemático, em espécie e género» à Associação Nacional de Apoio à Pobreza, num contexto «tão difícil como aquele que se vive».

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