O Benfica chega ao clássico com o FC Porto com os mesmos pontos que tinha à 20.ª jornada na última época em que foi campeão de futebol, mas com a diferença de ter os “dragões” colados na classificação.

O desempenho dos “encarnados” no primeiro terço da Liga deve ser visto em dois prismas: o primeiro com um percurso quase imaculado e a perda de apenas seis pontos em 18 jornadas e o segundo com cinco pontos desbaratados em dois jogos.

Seria injusto fracionar o Benfica em antes e depois de fevereiro, mas os números são claros e a equipa lisboeta perdeu em seis dias a oportunidade de chegar ao jogo com o FC Porto com mais cinco pontos (derrota em Guimarães, por 1-0, e empate em Coimbra, a zero).

Com o plantel mais equilibrado, em relação ao último título (2009/2010), o Benfica até nem começou bem a Liga, o que tem sido apanágio com Jorge Jesus como técnico, e empatou na estreia, na visita ao Gil Vicente (2-2, após estar a vencer por 2-0).

Terão sido esses os únicos pontos realmente perdidos na primeira volta, tendo em conta que os dois outros empates aconteceram em casa de outros candidatos, o FC Porto (2-2) e o Sporting Braga (1-1).

Foi até aí, e num percurso que se prolongou até à 18.ª jornada, que o Benfica alimentou nos adeptos, na imprensa e na própria estrutura uma imagem forte, frequentemente reconhecida como a equipa que melhor futebol praticava.

Os “encarnados” mostraram-se consistentes, um conjunto pragmático, mas que, a espaços, também era capaz de «elevada nota artística», como costuma reconhecer o seu treinador, numa Liga com um FC Porto oscilante, um Braga ainda “outsider” e um Sporting dececionante.

Com muitas soluções, a equipa deu-se ao luxo de muitas vezes diferenciar as suas opções (Nolito ou Bruno César ou Gaitán. Aimar mais avançado ou Rodrigo ao lado de Cardozo), mantendo os nucleares (Artur, Luisão, Maxi, Javi Garcia, entre outros).

Em toda a primeira volta, o empate em Barcelos, na estreia, terá sido o único amargo de boca, com a equipa a conseguir no Porto e em Braga recuperar de desvantagens e arrancar um ponto (no Dragão com a importância, para o caso de um empate final, de marcar dois golos).

Mas, e ao contrário da época em que se sagrou campeão, com um estilo de jogo em “velocidade”, o Benfica até dezembro só por duas vezes goleou (4-1 à Académica e ao Paços de Ferreira), revelando um jogo mais pragmático.

Foi preciso chegar a dezembro, no último encontro antes da paragem natalícia, para os “encarnados” embalarem em goleadas: 5-1 ao Rio Ave (16 de dezembro), 4-0 no reduto da União Leiria (08 janeiro), 4-1 ao Vitória de Setúbal (14 janeiro) e 4-1 ao Nacional (11 fevereiro).

O jogo com os insulares, para muitos com a melhor exibição da época, foi a última vitória da equipa e nada fazia prever a derrapagem que viria a seguir: derrota para a “Champions”, no reduto do Zenit (3-2), desaire em Guimarães (1-0) e empate em Coimbra (0-0).

O mês adivinhava-se difícil e nos testes fundamentais antes do encontro com o FC Porto a equipa baqueou e perdeu os cinco pontos de vantagem que havia conquistado.

Igualado a 49 pontos com os “dragões”, o Benfica vive um cenário parecido com o de há duas épocas quando recebeu os “dragões”: o jogo surge depois de um empate (em 2009/10 com o Olhanense), está pressionado e sem capacidade para “respirar” na frente.

Mas, ao contrário do que aconteceu nessa temporada, na qual o Braga era segundo classificado, a um ponto, e os "dragões" estavam a seis (e tinham mais um jogo), o Benfica tem agora duas ameaças, o FC Porto tem os mesmos pontos e os "arsenalistas" também estão na corrida ao título, a três pontos da frente.

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