O Benfica fez ontem a primeira aparição sem Javi Garcia e Axel Witsel, vendidos em cima do fecho de mercado ao Manchester City e Zenit São Petersburgo, respetivamente. No meio-campo surgiram as alternativas disponíveis: Aimar no lugar do belga e Matic no lugar do internacional espanhol.

Daúto Faquirá, treinador de futebol, acredita que Jorge Jesus está neste momento ‘a fazer contas à vida’, prevendo as dificuldades resultantes da escassez de alternativas à perda de «duas unidades nucleares».

«Parece-me que o Benfica perdeu duas unidades nucleares e que por muito que se façam adaptações, são duas unidades que farão muita falta ao Benfica. Eram importantes na dinâmica da equipa a nível defensivo e, depois, nas transições ofensivas», começa por dizer Daúto, que acrescenta que só Matic tem características que permitem colmatar diretamente a saída de um dos jogadores, no caso o espanhol Javi Garcia.

«Jorge Jesus só tem um jogador para a posição ‘6’ e assim fica um pouco limitado. O Benfica procura aparecer com o mesmo esquema tático que tinha há dois anos, mas com diferenças: não tem Ramires, não tem Di Maria, e o Aimar e o Carlos Martins - que são as alternativas expetáveis para jogar ao lado de Matic – não são jogadores para o ano todo. São atletas com oscilações e julgo que o Benfica vai ter um problema», antecipa o treinador, que não tem dúvidas de que «na janela de transferências, o Benfica vai obrigatoriamente ter de se reforçar».

«Mantendo o discurso de que quer ganhar o campeonato e de que quer fazer uma boa Liga dos Campeões», lembra Daúto, «o Benfica terá de perceber que o plantel é curto e possui alguns desequilíbrios. Sobretudo no meio-campo, o Benfica está limitadíssimo. Parece-me pouco para uma equipa com as pretensões do Benfica. É uma equipa e um plantel desequilibrado», atira.

Uma das novidades do jogo frente ao Bétis foi o regresso de Nico Gaitán, algo que Daúto vê com agrado e diz que pode dar novas soluções a Jorge Jesus.

«É um jogador que tem um potencial tremendo, embora com algumas intermitências. Ainda assim, com ele e o Salvio nos corredores, o Benfica fica com um potencial incrível no ataque», considera o treinador, que lamenta que as águias tenham sido obrigadas a vender.

«É uma pena para quem estava a ver a equipa do Benfica a ser construída, e seria uma equipa fortíssima, ver sair aquelas duas unidades, que fazem com que a equipa agora esteja desequilibrada.»

Lima, Cardozo ou Rodrigo?

Lima estreou-se ontem frente à equipa de Sevilha e também no brasileiro Daúto vê potencial para oferecer aos encarnados mais uma opção válida na frente de ataque. A questão que se coloca é como o treinador do Benfica conciliará o brasileiro com os “intocáveis” Cardozo e Rodrigo.

«A vinda do Lima dá uma lista de opções como mais nenhuma equipa tem. Para jogar o Lima, parece-me difícil o Benfica passar para um 4-3-3, já que tem o Salvio e o Gaitán. Jogando com dois, parece-me que Lima ‘casa’ melhor com Rodrigo. Sinceramente, quando soube da contratação do Lima, pensava que o Cardozo ia sair. Não era uma necessidade do Benfica mas é um excelente jogador», termina Daúto Faquirá.

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