O Benfica deve abordar com mentalidade corajosa a visita ao FC Porto, no domingo, da 28.ª jornada da I Liga, sugere o ex-futebolista César Brito, observando a luta pelo título limitada aos ‘encarnados’ e ao campeão nacional Sporting.

“Estamos a entrar na fase decisiva e, sinceramente, a exibição de quarta-feira [no triunfo caseiro por 3-2 perante o Farense] não agradou a ninguém, mas a vitória era importante. Este jogo com o FC Porto vai ser decisivo, porque, em caso de vitória, o Benfica moraliza-se e o que resta da época vai ser encarado de outra forma. Agora, nunca é fácil jogar no Dragão e esperamos um Benfica muito superior ao do último jogo. Se assim não for, terá grandes problemas”, enquadrou à agência Lusa o ex-avançado das ‘águias’ (1985-1995).

O Benfica, segundo classificado, com os mesmos 65 pontos do campeão nacional e líder Sporting, mede forças com o FC Porto, terceiro, em igualdade com os 56 do Sporting de Braga, quarto, no domingo, às 20:30, no Estádio do Dragão, no Porto, no clássico da 28.ª ronda, um dia antes de os ‘leões’ defrontarem os ‘arsenalistas’ em Alvalade, pelas 20:45.

“Não acredito que FC Porto e Sporting de Braga consigam chegar [ao título]. Era preciso que Sporting e Benfica caíssem bastante, mas acho que o campeonato vai ser decidido entre ambos e não tenho dúvidas de que os outros oponentes lutarão pelo terceiro lugar. O FC Porto não tem feito uma época regular nem tem sido a equipa que nos habituou ao longo dos anos”, notou César Brito, vencedor de quatro campeonatos pelo clube da Luz.

Na receção ao Farense, 17.º e penúltimo colocado, em zona de despromoção, o Benfica chegou às oito vitórias consecutivas e igualou a sua melhor sequência da temporada no campeonato, obtida de setembro a dezembro de 2024, já sob orientação de Bruno Lage, mantendo-se colado ao Sporting, vencedor no sábado face ao Estrela da Amadora (3-0).

“Para mim, não há desgaste [superior ao do FC Porto]. Este resultado a meio da semana moraliza e é sempre bom para se enfrentar o jogo seguinte. Agora, não vejo diferenças nenhumas entre esta semana ‘limpa’ do FC Porto e o calendário do Benfica”, considerou.

Projetando uma reta final “bem disputada”, César Brito mostrou-se confiante na resposta dos ‘encarnados’, que, depois do clássico, vão visitar o Vitória de Guimarães, para a 30.ª jornada, e o Sporting de Braga, na 34.ª e última, por entre o dérbi caseiro da 33.ª face ao Sporting, com o qual estão em desvantagem no confronto direto e na diferença de golos.

“Houve mudanças e algumas lesões, mas o Benfica tem um plantel recheado de grandes individualidades para gerir isso e as vitórias têm moralizado a equipa. Os jogadores estão confiantes e esperamos um Benfica forte. Ainda há jogos difíceis, mas eu acredito nesta equipa, que tem apresentado futebol muito atrativo e demonstrado que é capaz”, traçou.

O ex-internacional português, de 60 anos, sente o peso de uma semana tensa entre os rivais, assinalada por trocas de acusações no contexto eleitoral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), já depois de o presidente ‘azul e branco’, André Villas-Boas, admitir que o clássico será o jogo da época para a equipa do argentino Martín Anselmi.

“O FC Porto tem de, pelo menos, chegar ao terceiro lugar. Esperamos um grande jogo e que tudo corra bem no Estádio do Dragão, onde o ambiente é sempre muito complicado. Para pensar no título, o Benfica tem de ganhar ou, no mínimo, não perder”, reconheceu.

Ressalvando que os jogos grandes “poderão ser resolvidos em detalhes”, César Brito vê qualidades em Vangelis Pavlidis para “fazer a diferença”, numa altura em que o ponta de lança grego vem de sete golos nas últimas oito rondas, após uma primeira volta ineficaz.

“É um jogador muito completo, que se entrega de corpo e alma ao jogo, é trabalhador e finaliza bem. Admiro-o e tem características muito especiais”, resumiu, distinguindo-o da faceta velocista do ‘herói’ improvável da vitória ‘encarnada’ nas Antas em 1990/91 (2-0).

Em 28 de abril de 1991, o ex-avançado saiu do banco perto do fim para ‘bisar’ em quatro minutos e resolver o clássico da 34.ª jornada, encaminhando o 29.º dos atuais 38 títulos de campeão do Benfica, então comandado pelo já falecido sueco Sven-Göran Eriksson.

“Ainda hoje se fala deste jogo e é incrível. Era decisivo, ficou na memória de muita gente e, sem dúvida, marcou-me para o resto da vida. Esperamos que o Pavlidis consiga ser decisivo, tal como já fui eu, o Nuno Gomes e outros nestes jogos importantes”.