O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) manifestou-se hoje confiante no cumprimento “escrupuloso” dos cuidados necessários para a retoma da I Liga no final de maio, no âmbito do plano de desconfinamento motivado pela pandemia de COVID-19.

“Neste momento não vale a pena criar alarme. Acho que já todos percebemos que o primeiro-ministro [António Costa], a Federação Portuguesa de Futebol [FPF], a Liga Portuguesa de Futebol Profissional [LPFP] e os clubes exigem as condições necessárias e vão cumpri-las escrupulosamente. É esse o sinal que se exige e que se está a dar”, afirmou o presidente do SJPF, Joaquim Evangelista, em declarações à Lusa.

O Governo autorizou na quinta-feira o regresso à porta fechada da I Liga, a partir de 30 e 31 de maio, mais de dois meses após a suspensão decretada, em 12 de março, numa prova que antecederá a realização da final da Taça de Portugal, entre FC Porto e Benfica, ao passo que a II Liga não recebeu ‘luz verde’ para reatar a competição.

“É nisso que se está a trabalhar, porque ninguém arrisca avançar sem que estejam garantidas essas condições. A posição do primeiro-ministro e a presença da FPF e da LPFP na reunião em Belém foram fundamentais, até para o futebol mostrar que o regresso já não passa apenas pelo jogador, árbitro, treinador ou sindicato. É o Governo que exige que seja desta maneira e só assim admitiu que a I Liga se realizasse”, notou.

A realização dos 90 jogos do principal escalão, que é liderado pelo FC Porto, com um ponto de vantagem sobre o campeão Benfica, e da final da prova ‘rainha', ainda está sujeita à aprovação por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS) de um plano sanitário apresentado ao Governo pela LPFP, que contempla as regras para o regresso do futebol.

“Acima de tudo, a decisão que o primeiro-ministro tomou mereceu ponderação. Tenho muito respeito pelo trabalho que está a fazer e pela forma como tem conduzido esta crise e estou convencido de que não tem nada contra o futebol. Depois confio muito na capacidade do presidente federativo Fernando Gomes, que tem sido muito importante na afirmação e credibilização do futebol português”, sublinhou Joaquim Evangelista.

Coordenado pela Unidade de Saúde e Performance da FPF, o projeto de retoma recebeu contributos de especialistas do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, além da colaboração dos serviços de infecciologia do Hospital Curry Cabral e do Hospital São João.

Em paralelo, continua ativo o grupo de emergência criado pelo organismo federativo e constituído pela LPFP, representantes das associações distritais e presidentes do SJPF e das associações de treinadores, árbitros e médicos, focado na segurança de todos os intervenientes, para evitar a propagação do novo coronavírus.

“A prioridade foi garantir as questões salariais, mas demos vários contributos sobre a prorrogação dos contratos, as cedências, o direito a férias e os seguros. Sobre este parâmetro, falámos esta semana sobre isso e iremos resolvê-lo no âmbito do contrato coletivo de trabalho, subscrevendo um documento transversal a todos os jogadores. Tudo vai ser consensualizado antes do reinício da competição”, explicou.

O regresso do futebol começou a ganhar forma na terça-feira, quando o primeiro-ministro António Costa se reuniu no Palácio de São Bento com os presidentes da FPF, Fernando Gomes, e da LPFP, Pedro Proença, além dos líderes de FC Porto, Benfica e Sporting, numa sessão que recolheu elogios de Joaquim Evangelista.

“O Sindicato não ficou incomodado nem diminuído por não estar presente. Como o primeiro-ministro não podia ter toda a gente, o líder da federação levou, e bem, os três clubes que alavancam o futebol português. Outros queixaram-se que deviam estar lá, mas acho que esteve quem devia estar. Não me incomoda quando as pessoas podem fazer um papel melhor que o meu na defesa dos interesses do futebol português”, sustentou.

No esboço elaborado pela LPFP, a que a Lusa teve acesso, prevê-se conjunto de regras que os clubes devem cumprir, como a higienização de “todos os espaços” e a disponibilização de desinfetante nos balneários, ao passo que os efetivos da segurança pública e da segurança privada a circularem na zona técnica devem ser “em número reduzido”, mantendo o distanciamento social e uso obrigatório de máscara ou viseira.

“E se um jogador for infetado pela covid-19 em plena competição? Essas eventualidades estão previstas e têm uma resposta nesse quadro. Se isso acontecer vai haver uma resposta adequada, prevista no protocolo que foi reforçado com o contributo do ex-ministro da Saúde [Adalberto Campos Fernandes] e está a ser finalizado”, concluiu.

Os campeonatos de futebol de França e Holanda já foram cancelados devido à pandemia, enquanto países como Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal vão preparando o regresso gradual à competição a partir das próximas semanas.

Portugal contabiliza 1.007 mortos associados à COVID-19 em 25.351 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado na sexta-feira.

Das pessoas infetadas, 892 estão hospitalizadas, das quais 154 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 1519 para 1.647.

Portugal vai terminar no sábado, 02 de maio, o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo anunciou a passagem para situação de calamidade a partir das 00:00 de domingo.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 235 mil mortos e infetou mais de 3,3 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

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