A Liga grega está interrompida a partir desta segunda-feira depois de um ministro do governo grego ter declarado a suspensão devido aos incidentes no encontro entre o PAOK e o AEK. Em causa estão as ações de Ivan Savvidis, presidente do clube helénico que entrou em campo na parte final da partida com uma arma na cintura.

No rescaldo da partida que não chegou a completar-se, toda a liga foi suspensa até que estejam reunidas as condições para que sejam retomados os jogos da competição. Voltando atrás no tempo, as coisas começaram a correr mal quando Fernando Varela, central do PAOK, marcou em tempo de compensação, apontando aquele que seria o primeiro golo da partida e colocaria a formação da casa em vantagem a poucos minutos do fim.

No entanto, o árbitro do encontro voltou atrás na decisão e acabou por anular o tento por um suposto fora de jogo do jogador do PAOK, situação que serviu de 'gatilho' para toda a confusão que se gerou. Num momento 'quente', o relvado foi invadido por adeptos sendo que o principal destaque foi para o presidente do PAOK que terá ameaçado o árbitro de morte por estar a prejudicar o seu clube. A ameaça do dirigente foi acompanhada e agravada pelo facto de estar com uma arma à cintura.

Governo grego suspende campeonato de futebol
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Esta segunda-feira, a AFP revela que a polícia grega emitiu um mandato de captura para Savvidis embora não pelo facto de ter estado no relvado do estádio com uma arma de fogo. O dirigente do clube grego é procurado por violação da lei desportiva devido à entrada no campo de jogo. A pistola, como é explicado, era permitida visto que Savvidis tem licença de porte de arma para segurança própria. Contudo, o dirigente fazia-se acompanhar por quatro guarda-costas particulares quando esteve no relvado.

Horas depois surgia a decisão do governo grego para encerrar todos os jogos e suspender a liga grega sem prazo definido. A UEFA já terá sido notificada e estará a trabalhar com a Federação Grega de Futebol neste caso. Em relação à partida, PAOK e o AEK defrontaram-se, este domingo, em Salónica, em jogo da 25ª jornada da liga grega, que não chegou ao fim. Em caso de triunfo, o PAOK chegaria ao primeiro lugar do campeonato.

Quem é Ivan Savvidis ?

O presidente do PAOK é um dos homens mais ricos da Grécia com um passado ligado à política. Dono do clube desde 2012, Savvidis já foi dono de parte do clube russo Rostov, que participa na Liga Russa antes de ter participação no clube grego.

A ligação à Rússia é grande uma vez que tem ascendência da zona do Cáucaso e serviu no exército soviético quando era mais novo. Fora do futebol, o dirigente tem 19% do canal de televisão MEga Channel e a editora Pegasus Publications que inclui dois jornais gregos. Mais recentemente, comprou o E Channel, um canal de televisão grega num acordo que ficou fechado no ano passado. Em termos de investimentos, o dirigente detém ainda 82% da empresa tabaqueira da Grécia.

No PAOK, Savvidis é responsável pela liquidez de várias dívidas que o clube detinha depois de chegar à presidência. Os valores ultrapassavam os 10 milhões de euros que foram saldados num curto espaço de tempo. Em 2013, um ano depois de chegar ao comando do PAOK, Savvidis foi listado na lista da revista Forbes como um dos homens mais ricos do mundo.

Violência e suspensão do campeonato não é inédito

A suspensão da Liga Grega por motivos derivados de violência e contestação no futebol não é um caso inédito. Em 2015, o futebol grego passou por uma situação semelhante com o Panathinaikos no centro da questão. O 'Pana', na qualidade de segundo classificado da liga na altura, ia receber o Olympiakos, primeiro classificado, para o clássico de Atenas, mas as claques acabaram por estragar o encontro antes do seu início.

Os 'ultras' do Panatinhaikos lançaram foguetes para o campo juntos de um dos jogadores do Olympiakos. Alfred Finnbogason não foi atingido, mas a intenção de magoar um jogador levou a toda a equipa recusar entrar em campo para disputar o encontro por entenderem que não estavam reunidas as condições de segurança. Vitor Pereira era treinador do Olympiakos e também teve a sua quota parte das ações dos 'ultras' adversários.

Na sequência da tomada de posição do Olympiakos, o relvado foi invadido por adeptos encapuçados que levaram à intervenção da polícia que foi obrigada a entrar em confronto com os 'invasores' que tinha transformado as placas de publicidade em armas para enfrentarem as forças de autoridade.

Momento da invasão de campo na Grécia
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No rescaldo do incidente a Liga Grega foi suspensa e os os clubes chegaram a um acordo sobre as medidas a adotar para combater a violência no futebol. Nessa reunião surgiu ainda um pedido para o governo aumentar o pessoal de segurança à volta dos estádios.

À semelhança desta segunda-feira, o governo também encerrou todas competições por tempo indeterminado. A segunda e terceira ligar também foram paralisadas como medida de prevenção.

O ano de 2015 no futebol grego ficou marcado por paralisações. A suspensão após os incidentes no Panathinaikos - Olympiakos foi a terceira vez nesse ano que o futebol ficou "em espera". Antes, a liga tinha estado suspensa uma semana devido à morte de Kostas Katsoulis, um adepto que tinha sido assassinado por rivais num jogo da terceira divisão grego.  Em novembro de 2015, um árbitro retirado também foi alvo de agressões em Atenas por dois 'ultras' que se aproximara numa mota. O ex-árbitro era diretor assistente do Comité Central de Arbitragens na Grécia e terá sido atacado devido a nomeações.

O futebol grego volta assim a ficar suspenso enquanto não houverem soluções para manter o controlo e segurança nos estádios de futebol.

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