Fábio Paim deu uma extensa entrevista ao site brasileiro ´Globoesporte` onde falou de tudo: dos erros cometidos ao longo da carreira, dos clubes pode onde passou, da comparação com Cristiano Ronaldo, do gosto por carros e da vida extrafutebol que acabou por arruinar a sua carreira.

Cristiano Ronaldo e Fábio Paim forma formados no Sporting. Chegaram a conviver na Academia do Sporting. Aquando da sua apresentação no Manchester United, Ronaldo teceu rasgados elogios ao extremo. "Se acham que eu sou bom, esperam até ver o Fábio Paim", disse CR7. Um elogio que mexeu muito com Fábio Paim.
O agora jogador do Paraíba do Sul, clube que disputa a Quarta Divisão do Campeonato Carioca, disse que até tinha mais condições que Ronaldo, mas faltava-lhe a força de vontade que levou o capitão da Seleção portuguesa ao topo do mundo.

"O Cristiano Ronaldo é de outro mundo atualmente, não pode haver comparação. No passado, sim. Se calhar, eu até tinha mais condições que ele. Mas não tinha o que ele tem, que é a força, a vontade de ganhar, de ser aquilo que você quer ser. Porque ele é um jogador muito trabalhador, e eu não tinha isso. Eu tinha a qualidade, se calhar até mais que ele, mas não tinha o resto. Preferia ter muito menos qualidade e ter a outra parte, aí sim, poderia ser um dos melhores do mundo. Mas ninguém nasce perfeito. Achei que só com o talento chegaria [ao topo], mas não", admitiu.

Aos 29 anos, o jogador formado no Sporting tenta reencontrar a alegria de jogar, de mostrar ao mundo o que realmente vale. Paim poderia ser melhor que Cristiano Ronaldo, mas, explica, faltou-lhe suporte e força de vontade para querer ser melhor. Aos 16 anos o jogador assinou um contrato que o Sporting que acabou por ser a sua ´desgraça` já que passou a ganhar muito... e também a gastar muito.

"Recebia muito dinheiro com 16 anos, já tinha contrato. Recebia mais que alguns jogadores da equipa principal, porque tinha muitos clubes que me queriam. Então o Sportig fez esse contrato. Recebia €10 mil e, depois, mais €150 mil. Isso mexe um pouco com uma pessoa, não estava habituado a ter dinheiro", comentou Paím, que espera que o seu exemplo evite que os miúdos de agora cometem os mesmos erros que ele.

"Quando comecei a jogar, nem chuteiras tinha. Do nada, as coisas foram acontecendo, e eu não estava preparado. E infelizmente eu não tinha o que os miúdos têm agora, que é o meu exemplo. Foi muito mal para mim, foi, mas para eles é muito bom, porque eles têm um exemplo das coisas que não se devem fazer. Sinto-me orgulhoso e não tenho vergonha de passar essa mensagem para eles", comentou.

Ainda na mesma entrevista ao ´Globoesporte, Fábio Paim contou que a sua carreira começou a desmoronar quando saiu do Chelsea e o Sporting colocou-o, primeiro no Real Sport Clube e depois a treinar a parte.

"Vou ser bem sincero, foi, se não me engano, em 2010, 2011, quando sai do Chelsea. Estava a jogar na Seleção Nacional e era titular na segunda equipa do Chelsea, treinava com a equipa principal. Tinha que ser humilde e saber que seria muito difícil jogar na equipa principal, mas eu queria jogar. Chegava na Seleção e não sentia o mesmo ritmo. Então pedi para sair. Para muitos, foi um absurdo. Mas queria jogar. Vou voltar a dizer, não é o dinheiro que me faz jogar futebol, não é. O dinheiro ajuda a estar bem, a não faltar nada em casa, mas não é o dinheiro. Eu já paguei para jogar, já paguei minha passagem para ir aos clubes, já estive num clube em que eu não recebia. Não é isso que me move", explica.

O Paraíba do Sul é o 19.º clube da carreira do extremo de 29 anos.

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