Benfica, FC Porto e Sporting, os três maiores clubes do futebol português, devem em conjunto 322,8 milhões de euros em empréstimos bancários e têm que pagar quase metade – 156,2 ME – no prazo de um ano.

A SAD do Benfica é de longe a mais endividada, com um total de 216,6 ME em empréstimos bancários, o que representa mais do dobro do que os rivais devem à banca em conjunto, dos quais 92,2 ME devem ser liquidados no espaço de um ano.

De acordo com os resultados do primeiro trimestre da época desportiva 2010/11, que se concluiu em Setembro, a SAD do Sporting é a que deve menos dinheiro aos bancos (52,2 ME), valor ligeiramente superado pela SAD do FC Porto (54 ME).

A diferença entre os dois clubes está nos empréstimos contraídos a curto prazo: enquanto os lisboetas têm que pagar 27,8 no prazo de um ano, os portuenses estão obrigados a regularizar 39,6 ME durante o mesmo período.

A dificuldade que os bancos estão a ter em financiar-se, em consequência da crise, pode dificultar a vida em 2011 aos três “grandes”, que vivem com crónicas dificuldades de tesouraria e têm por hábito contrair novos empréstimos para pagar os que se vão vencendo.

“Além da diminuição da concessão de crédito, a falta de liquidez dos bancos está a levá-los a aumentar os ‘spreads’. Neste momento, ninguém se financia a menos de sete ou oito por cento a curto prazo. Sobre 322 ME são mais de 20 milhões anuais só de juros”, observou à Agência Lusa o economista Jaime Antunes.

O economista advertiu que “o ano de 2011 será muito complicado”, pois “os três grandes clubes estão fortemente endividados”, a um nível que “não é sustentável” no actual quadro financeiro.

“Os clubes gastam muito mais do que faturam. Até aqui têm vivido de financiamento, mas essa torneira está a fechar-se e não podem continuar com o mesmo volume de despesas, em especial os salários dos jogadores”, defendeu.

O cenário de crise ameaça agravar ainda mais a situação deficitária das SAD dos três habituais candidatos ao título, que apresentam em conjunto um prejuízo de 249,1 ME desde a sua constituição.

O Benfica volta a liderar de forma destacada, com um resultado negativo acumulado de 105,9 ME, quase o dobro dos 53,3 ME do FC Porto, enquanto a SAD do Sporting apresenta um prejuízo de 90,9.

“O Sporting é o que está na situação mais difícil, porque tem um endividamento muito grande e capacidade limitada de gerar receitas. O Benfica é de longe o que está mais endividado, mas também consegue produzir muito mais receitas”, sustentou Jaime Antunes.

O clube de Alvalade procura reestruturar as suas finanças através da segunda “operação harmónio”, que pretende retirar a SAD da situação de “falência técnica” e a adequação dos capitais próprios ao disposto no Código das Sociedades Comerciais.

De acordo com os relatórios referentes ao primeiro trimestre da temporada 2010/11, o FC Porto é o único dos três que cumpre o artigo 35 sobre os capitais próprios (activo menos passivo da sociedade), que devem ser superiores a metade do capital social.

O economista advertiu que à dívida aos bancos é preciso somar a emissão de empréstimos obrigacionistas e os efeitos da política de antecipação de receitas: “É incontornável. Os clubes só podem sobreviver se reduzirem as despesas”.

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