O treinador Jorge Simão, atualmente na Arábia Saudita, considera que enquanto não houver a centralização dos direitos televisivos no futebol português não haverá competitividade na I Liga, e isso continuará a refletir-se negativamente na participação nas competições europeias.

“Sem a centralização dos direitos televisivos, vai continuar a acentuar-se a diferença entre as equipas que jogam para serem campeãs e as outras, e isso vai sentir-se cada vez mais nos clubes que participam nas competições europeias”, explicou à agência Lusa Jorge Simão.

O técnico, que desde o início da época representa o Al-Fayha, da Arábia Saudita, entende que a “igualdade é impossível de alcançar”, mas defendeu que deve haver “equidade”.

“É fundamental para haver uma maior competitividade no principal escalão. Uma equipa não pode gastar 2,5 milhões de euros de orçamento e haver equipas a gastarem mais de 100 milhões, pois é uma diferença abismal”, concretizou.

Jorge Simão realçou que à medida que cresce o fosso entre clubes a nível interno, o mesmo acontece a nível externo, na participação das equipas portuguesas nas competições europeias.

Para o técnico de 43 anos, a recente criação por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) da III Liga em 2021 surge num momento que “é oportuno para fazer mudanças”.

“Tenho em muito boa conta o presidente da FPF [Fernando Gomes], pois é muito credível e visionário e estas alterações são importantes que se façam. Mas a minha opinião é sobre a I Liga e a necessidade de centralizar os direitos de transmissão televisiva”, reforçou.

Com a I Liga portuguesa a ser retomada no final do mês, após uma interrupção devido à pandemia de covid-19, Jorge Simão, que defendeu publicamente, em entrevistas, a suspensão da prova sem ser atribuído título de campeão, explicou que, agora que a decisão está tomada, não vê necessidade em comentar mais o tema.

A estreia de Jorge Simão no principal escalão aconteceu no final da temporada 2014/2015 no Belenenses, seguindo-se uma época no Paços de Ferreira e meia época no Desportivo de Chaves, quando mudou para o Sporting de Braga, ‘aventura’ que também não chegou ao fim.

“Não posso dizer que me arrependo, pois quando saí de Chaves não foi uma decisão sem pensar, foi algo consciente e ponderado. Claro que se soubesse o futuro, era muito mais fácil, mas nunca sabemos”, atirou.

Nas últimas duas épocas, Jorge Simão representou em Portugal o Boavista, sendo que também não chegou ao final da temporada 2018/2019 no comando dos ‘axadrezados’.

Confessando não fazer planos para o futuro, o treinador natural da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, contou ter um objetivo de carreira, embora sem o revelar em concreto.

“O futuro para mim é amanhã. Falo algumas vezes num objetivo de carreira, mas nem tenho nenhuma meta temporal para o atingir. Como treinador, penso em desenvolver competências constantemente e sentir-me bem onde trabalho”, concluiu.

Perto de renovar contrato com o Al-Fayha, da I Liga da Arábia Saudita, clube com o qual já tem entendimento para estender a ligação faltando apenas “o acordo entre os advogados”, Jorge Simão considera o jogador saudita “diferente do europeu”.

“Na generalidade, é um jogador diferente dos que estamos habituados na Europa, são jogadores tecnicamente ricos, versáteis e habilidosos, características que gosto, pois permitem trabalhar e evoluir”, destacou.

Após a primeira época no estrangeiro, a língua diferente não foi um problema para o técnico português, que, falando inglês, consegue comunicar com o plantel.

“Tenho tradutor, mas a maior parte percebe inglês, e os estrangeiros também, o que facilita muito a comunicação para não haver interferência na mensagem”, vincou.

Aquando da interrupção do principal escalão de futebol do país do Médio Oriente, devido à pandemia de covid-19, o Al-Fayha ocupava o 11.º lugar, com 27 pontos após 22 jornadas, a oito do final, em lugar de manutenção.

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