A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) espera ter um departamento vocacionado para a segurança a partir do início da época 2022/23, informou hoje a diretora executiva do organismo, Helena Pires.

Na sequência das apresentações da Liga e da Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), relativas aos problemas que afetam a segurança no futebol em Portugal e às medidas a implementar para a robustecer, a responsável anunciou esse novo departamento.

“O departamento de segurança da Liga Portugal é um desafio para a próxima época desportiva. Esta direção está determinada em fazer um departamento de segurança ‘à séria’, que vai dar o pontapé de saída na época 2022/23”, anunciou, durante uma videoconferência promovida pelo organismo, com representantes dos clubes membros, da APCVD, da PSP e da GNR.

A diretora executiva da LPFP considerou ainda que o “diretor de segurança” de cada clube tem “um desempenho fundamental no dia de jogo”, revelando-se “muito mais abrangente do que os contactos com as forças de segurança”.

Helena Pires revelou ainda que a I Liga portuguesa de futebol, entre os 270 jogos realizados, teve 94 com “atrasos” no início ou no reatamento, 57 com deflagração de engenhos pirotécnicos e 12 com interrupções, situações que “ninguém quer”, apesar de também “ocorrerem pelo mundo fora”, nas “mais diversas competições”.

“Nenhum de nós se revê entes eventos, mas eles acontecem e são transversais às várias competições, em termos nacionais e internacionais. Se isto nos preocupa? Claro que nos preocupa”, frisou, enquanto mostrava uma apresentação que identificava 53 atrasos, 12 deflagrações de engenhos pirotécnicos e nove interrupções”.

Após reconhecer que o cartão do adepto, revogado em 17 de dezembro de 2021, não funcionou “na proporção do que era expectável funcionar”, a dirigente da LPFP avançou que a “plataforma centralizada de controlo de acessos” aos estádios, a “interdição de setores” nos estádios ou a “intervenção efetiva das forças de segurança nas bancadas em caso de desordem” são medidas em equação, ao abrigo da lei número 39/2009.

Já Paulo Fontes, da APVCD, reconheceu que há “uma tendência a nível europeu”, no “pós-pandemia de covid-19”, para “alguns incidentes que não eram tão comuns”, e uma outra de “incidentes mediáticos” na I Liga que são alvo de “imitação noutras competições de futebol” em Portugal.

Para o responsável, são precisas “alternativas à pirotecnia” nos estádios, seja para efeitos “de luz, de fumo ou sonoros”, face a uma diretiva da UEFA a dar conta de que “não há uso seguro de pirotecnia, até em situações nas quais os jogadores pegam nos engenhos para os removerem do terreno de jogo.

“Há riscos difusos que afetam todos os espetadores, devido ao fumo, porque há componentes que são cancerígenos e outros bioaderentes. Sabemos que muitos destes artigos não cumprem a legislação. E há casos de ferimentos em jogadores. É preciso protegê-los”, alertou.

O dirigente da APVCD defendeu que “um adepto identificado com posse ou uso de pirotecnia” possa ser “alvo de uma intervenção cautelar”, tendo pedido “revistas mais eficazes” às equipas das empresas de segurança privada.

Paulo Fontes valorizou ainda os protocolos entre clubes e os respetivos grupos organizados de adeptos para identificarem “direitos e deveres”, defendeu a “igualdade de tratamento para adeptos com necessidades especiais” e vincou que o combate ao racismo e à xenofobia deve seguir o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação, de 2021.

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