O presidente da Liga Portuguesa Profissional de Futebol (LPFP), Luís Duque, defendeu que os clubes se dividiram nos últimos meses "por causa de questões de poder no futebol, nomeadamente a arbitragem".

“A indústria do futebol é importante, queremos fazer dela uma das mais importantes do país, e perturbá-la com questões estranhas de poder, como a arbitragem, que há muitos anos penalizou tanto o futebol português, é um retrocesso grande”, disse Luís Duque, em entrevista à agência Lusa, quando instado a explicar a divisão que se gerou entre os clubes da Liga, com o FC Porto e o Sporting de um lado da ‘barricada’ e o Benfica de outro.

Para Luís Duque, o que está em causa são dois conceitos do que deve ser uma Liga profissional de futebol, "um mais empresarial e outro mais focado em questões de poder no futebol, que devem ser dirimidos noutra sede, na FPF", sendo que, para isso, existem "as eleições federativas e tempos que se abrem de debate sobre essas matérias".

No entanto, reconhece que existe um problema sério na arbitragem e que são legítimas as preocupações dos seus filiados: "Há um desconforto dos clubes, manifestado na proposta da última assembleia geral da Liga, para introduzir o sorteio. Há coisas que estão a acontecer que não se entende e põem em causa a transparência das nomeações e das classificações e que, em última instância, ferem a verdade desportiva".

O presidente da Liga considera que tem de haver "maior abertura de quem gere a arbitragem para dar explicações públicas e se sentar à mesa para encontrar soluções" e que a proposta do sorteio foi "um cartão amarelo a quem governa esse setor no sentido de que tem de mudar e fazer as alterações que se exigem".

A candidatura de Pedro Proença às eleições para a presidência da Liga, com o apoio de FC Porto e Sporting, não apanhou de surpresa Luís Duque: "Sei que fala muito de gestão, mas eu conhecia-o como árbitro, nos últimos anos com contrato de árbitro profissional em exclusividade. Sei também que esteve ligado à gestão de insolvências, mas esse período, felizmente, está ultrapassado na Liga".

De resto, Duque reivindica, apesar da sua formação jurídica, experiência adquirida como gestor de empresas ligadas ao universo do Banco Comercial Português e ao grupo Sintra, onde são geridos ativos de dezenas e centenas de milhões de euros.

"Claro que isso me ajudou a exercer a presidência da Liga, mas não é suficiente, é preciso ter capacidade de diálogo, de mobilização, saber constituir equipas, como temos feito, o que levou os clubes a desafiarem-se para um novo mandato", alegou Luís Duque, para quem a sua missão "tinha chegado ao fim depois de ter as contas, os regulamentos e os estatutos aprovados a 7 de julho e de ter assegurado a estabilidade financeira da Liga".

Todavia, os clubes vieram desafiar Luís Duque para continuar, o que o obrigou a "um período de avaliação em função da necessidade de articular a sua vida pessoal e profissional", mas acabou por aceitar o repto.

Não estranhou a candidatura de Pedro Proença, mas sim o envolvimento do presidente da Associação Portuguesa de Árbitros, José Gomes, e a preocupação de se tentar centrar na Liga as questões da arbitragem.

"O Pedro Proença põe o enfoque nas questões do negócio, e está correto, mas se ler as declarações de quem gravita em seu redor verifica que a questão central são os problemas da FPF e da arbitragem", disse Luís Duque, preocupado "não com o mensageiro, mas com a mensagem que traz dos apoios que o suportam".

Luís Duque é candidato às eleições da LPFP, marcadas para terça-feira, para um novo mandato, concorrendo ao cargo com o ex-árbitro internacional Pedro Proença.

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