A Assembleia Municipal de Tondela aprovou esta segunda-feira a contratação de um empréstimo até dois milhões de euros, que serve para dotar o Estádio João Cardoso com condições mínimas para poder acolher jogos da Primeira Liga de Futebol.

A proposta apresentada pelo presidente da Câmara de Tondela (PSD), José António Jesus, foi aprovada por maioria, tendo contado com oito votos contra e uma abstenção.

Durante a reunião da Assembleia Municipal de Tondela, que decorreu ao longo de várias horas, José António Jesus sublinhou que a ascensão do Clube Desportivo de Tondela à I Liga é uma oportunidade única para que o concelho se afirme como o segundo palco mais importante da região centro em matérias desportivas, logo a seguir a Coimbra.

"Esta é uma situação excecional e implica uma decisão excecional. Esta é a opção mais correta economicamente, mais sustentável e viável", sustentou.

Apesar de o Estádio João Cardoso ser propriedade do Clube Desportivo de Tondela, o autarca esclareceu que o município de Tondela tem um direito de superfície, que lhe permite realizar as infraestruturas e as obras necessárias no equipamento.

Para que este investimento seja possível, a Câmara de Tondela terá de recorrer a um empréstimo de médio e longo prazo até dois milhões de euros, que "ao contrário dos que muitos fazem crer, não é o financiamento de uma equipa de futebol".

"Com isto, a Câmara financia uma operação para garantir infraestruturas para o concelho, na linha do que já fez no passado", acrescentou.

Ao longo da sua intervenção, José António Jesus evidenciou que a operação não põe em causa a normal gestão com as juntas de freguesia ou o apoio às instituições do movimento associativo.

"Esta opção não põe em causa a solidez, que para mim é sagrada, das contas do município", garantiu.

O autarca de Tondela informou que as obras, que deverão durar quatro a cinco meses, deverão ser feitas de forma faseada e com vários graus de intervenção, não pondo em causa o arranque do campeonato e a possibilidade de ocorrerem logo de início jogos no Estádio João Cardoso.

O deputado socialista Joaquim Santos foi um dos que votou contra a proposta de empréstimo da Câmara de Tondela, defendendo "a separação do futebol da política" e criticando um investimento do município em propriedade privada, quando "o dinheiro não cresce".

Já o deputado do PCP, Manuel Veiga, que também votou contra, mostrou dúvidas sobre o retorno que este investimento possa vir a trazer à autarquia.

Entre os votos contra esteve também o do deputado do PSD, José Helder, que alegou que este é "um apoio desmedido" ao Clube Desportivo de Tondela, tendo em conta outras prioridades do concelho.

A proposta de contração de empréstimo a médio e longo prazo até dois milhões de euros para ampliação e requalificação do Estádio João Cardoso tinha sido aprovada por unanimidade em reunião do executivo da Câmara de Tondela, que decorreu a 01 de junho.

Na altura, os vereadores socialistas juntaram uma declaração de voto onde ressalvaram que votaram a favor, mas esperavam que esta contração de empréstimo não servisse de "pretexto para onerar a vida dos tondelenses, ou pôr em causa iniciativas e responsabilidades assumidas com os outros órgãos autárquicos e associações".

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