No Relatório e Contas 2009/10 da sociedade consta que foram dados como garantia para os empréstimos contraídos junto do BES e do BCP “os direitos desportivos detidos ou a deter pela Sporting SAD relativos aos jogadores de futebol que tenham com ela celebrado um contrato de trabalho”.

José Filipe Nobre Guedes desvaloriza à Lusa a questão: “Isso aparece em todos os relatórios desde 2005, mas parece que só agora é que leram e deram por isso. Quando, num negócio com a banca, dou de garantias os passes dos jogadores, não tenho nenhuma restrição para os vender, mas, caso o faça, tenho de arranjar outra garantir para substituir aquela, que pode ser o passe de outro jogador que venha a ser contratado”.

Acresce, ainda, segundo o dirigente “leonino”, que as garantias em causa “são as mesmas que foram dadas em 2005, não tendo sido reforçadas na reestruturação financeira” aprovada a 09 de Setembro pela Assembleia Geral da SAD.

O administrador da Sporting SAD explicou também a razão de o Sporting ter contraído quatro empréstimos junto do BES e do BCP com uma taxa de juro de sete por cento.

Segundo Nobre Guedes, trata-se de “empréstimos pequenos de curto prazo”, respeitantes a “operações financeiras pontuais” para resolver “problemas imediatos de tesouraria”, e cujos juros “serão ajustados assim que a reestruturação financeira estiver feita”.

“Empréstimos de curto prazo de dois ou três meses, hoje em dia no mercado, são coisa que não se vê por aí aos montes”, observou à Lusa Nobre Guedes, acrescentando: “Tomara muita gente ter juros de sete por cento em pequenas operações pontuais, normais em qualquer sector de actividade, quando o Estado português paga seis por cento”.

A situação financeira do Sporting “preocupa” Nobre Guedes, tanto mais que o exercício findo em 30 de Junho de 2010 regista um prejuízo de 26,4 milhões de euros, o dobro do período homólogo anterior, muito “por culpa da ausência da equipa principal da Liga dos Campeões”.

Mas o administrador da SAD garante que “foram tomadas todas as medidas necessárias e que as próximas contas já vão reflectir uma situação financeira mais saudável”.

Nobre Guedes recorda que já foram feitas várias operações financeiras depois do fecho do relatório e contas de 2009/10, nomeadamente a venda dos passes de Miguel Veloso (sete milhões de euros) e João Moutinho (11 milhões) ao Génova e FC Porto, respectivamente.

Por outro lado, considera que estão assegurados “aumentos significativos de receitas futuras, quer por via da “venda dos direitos televisivos entre 2013/14 e 2017/18” à PPTV, quer através da “implementação do plano de reestruturação financeira”, o qual permitirá “libertar mais meios para melhorar a competitividade desportiva”.

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