Luís Filipe Vieira vai colocar a venda 753.615 ações da SAD do Benfica, que correspondem a 3,28% do capital social do clube Encarnado. No entanto, o comprador não será o seu amigo José António dos Santos, como chegou a ser noticiado pela imprensa nacional.

Em comunicado citado pelo jornal 'Expresso', José António dos Santos, também conhecido como o 'Rei dos Frangos', garantiu que não será o comprador da participação de Luís Filipe Vieira na SAD do Benfica. O empresário garantiu que "não manteve qualquer contacto com o ex-presidente do Benfica e não comprou nem pretende comprar as suas ações".

No mesmo comunicado, o Rei dos Frangos garante "as notícias que têm sido difundidas nos últimos dias sobre a alegada proposta de compra das ações não têm qualquer fundamento actual, não correspondendo, assim, à verdade".

De recordar que José António dos Santos e Luís Filipe Vieira estão proibidos se contactarem, na sequência das medidas de coação impostas pelo juiz Carlos Alexandre, no âmbito da Operação Cartão Vermelho, na qual ambos são arguidos.

José António dos Santos, conhecido por 'Rei dos Frangos', é fundador do Grupo Valouro-Avibom e maior acionista individual da SAD do Benfica (com 16%). Foi constituído arguido no âmbito da investigação criminal Cartão Vermelho e objeto de diversas medidas de coação. Entre os arguidos do processo estão Luís Filipe Vieira (72 anos), que está em prisão domiciliária até à prestação de uma caução de três milhões de euros e proibido de sair do país, Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, e o agente de futebol e advogado Bruno Macedo.

A investigação envolve negócios com prejuízos para o Estado, SAD do clube e Novo Banco.

Segundo documentos relativos à investigação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso, Vieira terá prejudicado o Novo Banco em cerca de 82 milhões de euros e ter-se-á apropriado de cerca de oito milhões de euros de uma empresa sua — a Imosteps - que vieram mais tarde a ser compensados pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco.

Segundo a imprensa, o empresário José António dos Santos e Tiago Vieira são apontados na investigação como cúmplices de Luís Filipe Vieira no esquema montado.

O Ministério Público diz ainda que o gestor Vítor Fernandes deu a Luís Filipe Vieira informação privilegiada quando era administrador do Novo Banco. Contudo, não é arguido nem lhe são apontados ilícitos. Vítor Fernandes estava indicado pelo Governo para 'chairman' do Banco de Fomento, mas nomeação foi suspensa após esta polémica.

Segundo o jornal 'online' Observador, a Imosteps era uma das empresas de Vieira com dívidas ao Novo Banco (dívidas que eram ao BES, mas passaram para o Novo Banco na resolução deste) e essa dívida da Imosteps tinha avales pessoais de Vieira e da sua mulher.

Para evitar que a dívida fosse comprada por entidades terceiras e a executassem (perdendo Vieira património pessoal) foi alegadamente montado um esquema em que José António dos Santos subscrevia unidades de participação de um fundo de capital de risco que iria adquirir a dívida. O Novo Banco aprovou, mas o Fundo de Resolução pediu a identificação dos investidores do fundo e chumbou pela ligação próxima entre José António dos Santos e Vieira.

A dívida da Imosteps é então agregada na carteira de malparado 'Nata II', que o Novo Banco vendeu em 2019 ao fundo norte-americano Davidson Kempner.

Noticia o Observador que, em agosto de 2020, o fundo Portugal Reestructuring Fund - gerido por uma sociedade de que José António dos Santos é dono - compra a dívida da Imosteps por nove milhões de euros e, no final de 2020, essa sociedade adquire a Luís Filipe Vieira e a Tiago Vieira as ações da Imosteps pelo valor simbólico de um euro. A Portugal Restructuring Fund liberta então os avales pessoais de Luís Filipe Vieira e da sua mulher.

Para o Ministério Público, José António dos Santos foi o investidor formal para ocultar Luís Filipe Vieira.

Quando esteve na comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco, em 10 de maio, Vieira foi questionado sobre os negócios que envolvia a Imosteps, por a dívida ter sido comprada pelo fundo Davidson Kempner ao Novo Banco abaixo do preço a que depois a vendeu a José António dos Santos.

"Ele pagou. Acho que fez um ótimo negócio", disse então Luís Filipe Vieira à deputada Mariana Mortágua (BE).

Vieira disse que o fundo Davidson Kempner o contactou, tendo o empresário perguntado "por quanto é que vendia aquilo", mas as suas empresas não tinham dinheiro e iriam acabar por "arranjar comprador".

"O comprador foi precisamente esta pessoa [José António dos Santos], através de um fundo que constituiu, e o resto não sei mais", referiu apenas Vieira.

"A dívida que o Novo Banco vendeu por quatro milhões é comprada ao Nata II pelo seu sócio por oito milhões", disse a deputada do BE.

José António dos Santos é sócio de Vieira em empresas e também o maior acionista individual da Benfica SAD.

Seria um dos principais beneficiários da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada em novembro de 2019 pelo Sport Lisboa e Benfica sobre a SAD Benfiquista. Porém, em maio de 2020, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considerou a operação ilegal.

No dia 15 de julho de 2021 a Benfica SAD confirmou à CMVM que José António dos Santos tem um acordo para vender a John Textor (empresário norte-americano) 25% do capital social da SAD.

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