Ao ritmo de um por jornada, assim prossegue a dança de treinadores na Liga. Naval, Marítimo, V. Setúbal, Académica, P. Ferreira, V. Guimarães e U. Leiria já mudaram o rosto da sua liderança, em busca de melhores resultados ou como solução rápida para divergências internas.

Para José Pereira, a responsabilidade de tantas trocas passa pela “incongruência e incompetência dos dirigentes”. “Se tivermos 16 Mourinhos a trabalhar na Liga, há sempre um que é campeão e outros dois que descem de divisão. As diferenças não estão tanto nos treinadores, mas sim nos clubes”, diz ao Sapo Desporto o presidente da Associação de Treinadores, lamentando a “impaciência” vigente no futebol português.

“Os jogadores melhoraram, os treinadores evoluíram e os dirigentes regrediram. Muitos aparecem de pára-quedas no futebol e não se pode esperar outra coisa que não a demonstração da sua incapacidade”, acrescenta o representante da classe dos treinadores.

E se os números desta época já se afiguram como um recorde, José Pereira espera que esta situação não passe de um “momento excepcional”. Todavia, se antes havia uma rotatividade entre os treinadores no activo e aqueles que estavam fora do mercado, agora o panorama alterou-se um pouco. V. Guimarães e U. Leiria resolveram a sua indefinição, criando uma nova noutros clubes, nomeadamente P. Ferreira e Portimonense.

“Para ser dirigente é preciso apenas ter um livro de cheques. Ninguém pede contas à gestão danosa de alguns clubes, mas os treinadores, num acto de condescendência, acabam também por facilitar”, frisa José Pereira. “E depois está a pagar-se a dois ou três técnicos em simultâneo”, observa.

O mercado visto de fora

Visão semelhante tem Daúto Faquirá. O antigo técnico de E. Amadora e V. Setúbal, actualmente sem clube, considera que a onda de despedimentos e trocas de treinadores “não abona muito a favor da imagem” da classe. “Acaba por desqualificar socialmente a profissão do treinador. Consequentemente, os técnicos assumem também uma posição individualista, numa espécie de ‘salve-se quem puder’”, explica o técnico, de 44 anos.

Sublinhando a actual ‘dança’ de técnicos na Liga como uma moda - onde os pares mais desejados voltaram a ser “ex-jogadores” e não os técnicos nascidos nas universidades, que ‘explodiram’ com o aparecimento de José Mourinho -, Daúto Faquirá descreve ainda um “fenómeno de imitação”. “Quem sai também não devia trocar tão facilmente. Daria uma maior estabilização ao nosso mercado e outro reconhecimento social. Não temos uma classe forte que se defenda e devia ser tomado um quadro de normas para minimizar este fenómeno”.

Acto contínuo, o treinador aponta caminhos para a mudança de rumo dos treinadores. “Em termos legais só se devia poder contratar um técnico depois de ser tudo liquidado a nível financeiro com o seu antecessor. Em Portugal é diferente do regime espanhol. Torna-se mais fácil e leviano despedir o treinador”, refere.

Por outro lado, num cenário de crise económica, José Pereira recusa a palavra desemprego entre os treinadores. “Não sei até que ponto o desemprego se adequa na nossa profissão. Nos últimos anos os empregos duplicaram ou triplicaram. Há candidatos, não creio que se possa falar por desemprego. O mercado é que tem mais dificuldade em absorver”, defende o líder da Associação de Treinadores de futebol.

As sete mudanças de treinadores na Liga:

Académica - Saiu Rogério Gonçalves, entrou André Villas Boas;
Marítimo - Saiu Carlos Carvalhal, entrou Mitchell Van der Gaag;
Naval - Saiu Ulisses Morais, entrou Augusto Inácio;
P. Ferreira - Saiu Paulo Sérgio, entrou Ulisses Morais;
U. Leiria - Saiu Manuel Fernandes, entrou Lito Vidigal;
V. Guimarães - Saiu Nelo Vingada, entrou Paulo Sérgio;
V. Setúbal - Saiu Carlos Azenha, entrou Manuel Fernandes;

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