O Ministério Público (MP) pediu a absolvição de Bruno de Carvalho no julgamento da invasão à Academia Sporting, solicitou penas máximas de cinco anos para a maioria dos arguidos, e considerou não provado o crime de terrorismo.

No primeiro dia das alegações finais, a procuradora do MP, Fernanda Matias, considerou ter ficado provado que 41 dos 44 arguidos do processo entraram na academia do clube, em 15 de maio de 2018, pedindo penas máximas de cinco anos para 37 destes, suspensas para os arguidos sem antecedentes criminais, e efetivas para arguidos com cadastro.

Para os restantes quatro, que, segundo o MP, entraram na academia algum tempo depois, foram pedidas multas.

A única exceção é o arguido Rúben Marques, que confessou em tribunal ter atingido com um cinto o avançado holandês Bas Dost, para quem a procuradora pediu pena efetiva, apesar deste não ter antecedentes criminais.

Fernanda Matias lembrou que o arguido foi o “único que admitiu que ia à academia para bater nos jogadores” e destacou o facto de Rúben Marques ter “molestado a integridade física de cinco pessoas, com especial energia criminosa”.

O MP entende que "todos os 37 arguidos que entraram na academia colaboraram no plano do qual fazia parte intimidar os jogadores, fazendo-os temer pela sua integridade física" e defende que "apesar de apenas 28 terem entrado na ala profissional, todos, mesmo que não tenham tido intervenção direto, nada fizeram para impedir as agressões".

No grupo dos 37 arguidos para os quais foram pedidas penas inferiores a cinco anos, inclui-se Fernando Mendes, antigo líder da claque Juventude Leonina, que não integrava o grupo que entrou na ala profissional da academia.

Fernando Mendes, o único arguido ausente da sessão de hoje, por motivos de saúde, explicou em tribunal ter ido à academia, onde entrou de cara destapada com outros arguidos, para, segundo explicou em tribunal, “ir falar com Jorge Jesus [então treinador do Sporting]”.

A procuradora considerou hoje que Fernando Mendes, que acabou por encontrar o grupo à entrada, “se pretendia apenas falar com Jorge Jesus, deveria ter entrado na dianteira do grupo”.

Segundo Fernanda Matias, a acusação de terrorismo, constante do despacho elaborado pela Cândida Vilar, não ficou provado.

“Não se provou que os arguidos tenham agido com outra intenção que não a de agredir os jogadores e equipa técnica, não procurando intimidar outras pessoas”, referiu a procuradora, durante a 36.ª sessão do julgamento, que decorre no tribunal de Monsanto, em Lisboa.

O MP entende também que não ficaram provados os crimes de sequestro, porque “os arguidos não impediram a saída dos atletas do balneário e estes também não manifestaram essa intenção”.

Fernanda Matias pediu a absolvição de Bruno de Carvalho, presidente do clube à data dos factos, Nuno Mendes ‘Mustafá’ e Bruno Jacinto, acusados da autoria moral de 40 crimes de ameaça gravada, 19 crimes de ofensas à integridade física qualificadas e por 38 crimes de sequestro.

O MP entende que “não se fez prova de que os arguidos tenham incitado outros arguidos à prática de atos criminosos”, destacando o facto de Mustafá não fazer parte dos grupos de Whatsapp, nos quais foi combinado o ataque.

“Não se provou que a alteração da hora do treino [de 15 de maio] tenha sido proposta pelo arguido Bruno de Carvalho”, referiu a procuradora, acrescentando que a frase “aconteça o que acontecer, vamos ver quem está comigo amanhã”, proferida pelo então presidente na véspera do ataque “se referia apenas a um eventual despedimento do treinador Jorge Jesus”.

O processo do ataque à academia do clube, em Alcochete – onde jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque ‘leonina' Juve Leo –, tem 44 arguidos, acusados de coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Depois de uma paragem de quase duas semanas, o julgamento da invasão à academia, que começou em 18 de novembro do ano passado, entrou hoje na fase de alegações, depois de, ao longo de 35 sessões, terem sido ouvidas 65 testemunhas de acusação e 90 de defesa.

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