Artur Torres Pereira, ex-líder da Comissão de Gestão do Sporting, falou esta quarta-feira, em entrevista ao jornal A Bola, da realidade que encontrou no clube de Alvalade após a saída de Bruno de Carvalho e não poupou críticas ao presidente demitido em Assembleia Geral.

Numa longa entrevista ao referido diário desportivo, Artur Torres Pereira falou de vários assuntos relacionados com os últimos meses conturbados do Sporting. Questionado como se poderia explicar que um presidente que tinha tido cerca de 90 por cento do apoio dos sócios tenha perdido esse apoio em poucos meses, o ex-presidente da Comissão de Gestão começou por responder em latim.

"Sic transit gloria mundi [Toda a glória do mundo é transitória]. Mal de quem não entenda a diferença entre servir uma instituição e servir-se de uma instituição. Quem está, está temporariamente e enquanto servir uma instituição. No dia em que alguém entender que se pode confundir com a instituição que serve, está a prestar péssimo serviço, está na altura de sair fora", começou por dizer Artur Torres Pereira.

"Eu nunca tive muitas ilusões porque fui vice no Conselho Diretivo de 2013 a 2017 e entrei em divergência com o anterior presidente, em 2015, quando ele apresentou uma primeira proposta de alteração aos estatutos que foi para mim inaceitável, que já vinha no sentido das propostas que foram apresentadas este ano com concentração de poder na figura do presidente, de desprezo pelos outros órgãos, nomeadamente o Fiscal e Disciplinar e quando vi aquilo tive intuição do que aí vinha...Fui ter com o Conselho Fiscal e disse-lhes que para aquilo não podia continuar a desempenhar as minhas funções. Se se tornasse público, teria de explicar porque me demitia, se não fosse tornado público limitar-me-ia a desperar até ao fim do mandato para sair", revelou ainda Torres Pereira.

"O que se passou este ano, para mim, não foi surpresa. Essas alterações iam no sentido de anular o príncipio da separação de poderes, que é basilar da democracia e de tentar concentrar num só homem o poder total de um clube, levando ao atropelo e à falta de respeito para com toda a gente, colocando o Sporting num clima de guerra e conflito aberto com tudo e com todos, que só criou uma montanha de novos problemas, que indispôs toda a gente dentro e fora do Sporting. O Sporting tinha-se transformado num clube em que a arruaça e o conflito eram permanentes", acrescentou ainda o ex-presidente da Comissão de Gestão.

"Bruno de Carvalho usou instrumentalmente o Sportinga para os seus objetivos. Faltou ao respeito ao clube. Clube, sócios, funcionários, atletas maltratados. Não há direito! Não vale nem pode valer tudo! Este tipo de comportamento não é aceitável", frisou Torres Pereira.

Em relação às condições em que a Comissão de Gestão do Sporting encontrou o clube, Torres Pereira fala em "desgoverno".

"Encontrámos um Sporting muito desequilibrado, ao contrário do que se dizia até aí, a gestão revelou-se catastrófica, quer do ponto de vista do modelo organizacional, quer do ponto de vista económico e financeiro. O Sporting tinha grandes lacunas nos recursos humanos e na resposta que os departamentos estavam em condições de dar", começa por relatar Torres Pereira.

"Que tipo de lacunas? Estou a falar das modalidades, do comercial, do marketing, para já não falar do futebol e da própria Academia", frisou.

"O Sporting estava malgovernado e a caminho do total desgoverno, porque a primeira coisa com que nos deparámos foi com uma penhora por via do não pagamento dos impostos e da Segurança Social", atirou Torres Pereira.

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