Habituada a estar envolvida em casos - sempre com o presidente João Bartolomeu no epicentro -, a União de Leiria começou a época como normalmente, a dar que falar fora do campo, com a equipa a ser proibida de entrar no Estádio de Leiria devido a uma dívida.

O "braço de ferro" levou a equipa a mudar-se para a Marinha Grande, por três anos, em troca da construção de três campos sintéticos para clubes locais. Apenas um foi construído, e está por pagar, com a empresa responsável a ameaçar arrancá-lo.

Em campo, a União de Leiria começou cedo a sofrer as consequências da época mal preparada. O plantel foi a soma desequilibrada de 20 novos jogadores, de 12 nacionalidades, e a SAD acabou por bater o recorde de "chicotadas".

Pedro Caixinha foi despedido à terceira jornada. O substituto, Vítor Pontes, resistiu três jogos, cedendo o lugar a Manuel Cajuda à sétima jornada. Cajuda afastou-se à 22.ª, ficando José Dominguez, que treinava os juniores, com o penoso final.

O resultado foi o último lugar, com apenas 19 pontos, 21 derrotas e a pior defesa. Esteve 10 jornadas sem vencer, entre dezembro e março, e, nessa fase, baixou à zona de despromoção, de onde não mais saiu. Em 2012, só venceu um jogo.

A par do fracasso desportivo, a situação financeira aguda compromete a continuidade da equipa, face, segundo o presidente da assembleia geral da SAD, João Carlos Barreiras Duarte, a "um passivo de seis ou sete milhões de euros".

No início de 2012, surgiram sinais concretos da crise, com a saída de dois jogadores por falta de pagamento de ordenados.

Desde ai, afastaram-se os dois administradores que acompanhavam Bartolomeu na SAD. O próprio presidente demitiu-se em abril, depois da greve do plantel devido a vários meses de salários por pagar.

Alguns rescindiram individualmente e 16 outros avançaram para a rescisão coletiva, a três jornadas do fim.

Só com o recuo de três deles e a inscrição de juniores à última hora a União de Leiria conseguiu terminar o campeonato. Mesmo assim, na 28.ª ronda, frente ao Feirense, fez história, ao entrar em campo com oito.

Antes da época começar, João Bartolomeu disse que se estava a esforçar para "evitar que a União de Leiria” se transformasse num “clube de bairro", mas, a equipa que foi duas vezes à Taça UEFA e relançou a carreira de José Mourinho está à deriva.

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