Carlos Queiroz considera que os problemas que surgiram no Mundial de futebol de 2010 “poderiam ter sido evitados se o chefe da delegação [Amândio de Carvalho] tivesse agido em conformidade” depois das graves declarações de Deco.

“Não deveria ter sido o seleccionador nacional a considerar os efeitos disciplinares e efectivos da conduta inaceitável de Deco, comprometendo o ambiente da selecção com as declarações que fez a seguir ao jogo com a Costa do Marfim”, argumentou hoje Carlos Queiroz, em afirmações à agência Lusa.

O ex-seleccionador diz que, apesar da “gravidade” dessas declarações, “vindas de um jogador com a idade e experiência de Deco”, recorda “não ter visto o senhor Amândio de Carvalho [vice-presidente da federação] indignado com aquelas ou tão pouco preocupado em participar ao Conselho de Disciplina (CD) da FPF ou em agir quando estiveram em causa os interesses da selecção”.

Lembra que “houve muita pressa em apresentarem uma queixa junto do CD” em relação a uma entrevista sua a um semanário, mas constata que “ainda não houve tempo para aplicarem a multa pecuniária que o presidente da FPF, Gilberto Madaíl, e o chefe da delegação determinaram para o jogador Deco”.

“Se o tivessem feito na devida altura, a opinião pública e alguma imprensa teriam tirado conclusões bem diferentes daquelas que eu tenho vindo a suportar”, referiu o ex-seleccionador, manifestando-se curioso em observar “qual vai ser o tempo que medeia entre a sanção disciplinar” que lhe vai ser aplicada e a “elevada sanção pecuniária que a FPF determinou para Deco”, esperando que não o façam “depois de serem pagos os últimos prémios do Mundial”.

Carlos Queiroz diz também que o ex-presidente da FPF João Rodrigues sabe "das intrigas que foram montadas e estruturadas" à sua volta. "Disseram-lhe que eu o corri do hotel onde a selecção estava hospedada no Mundial, apesar de ele saber que tinha a minha casa pessoal na África do Sul e familiares meus à sua disposição para tudo o que ele precisasse para o congresso da FIFA”.

Alega que João Rodrigues “preferiu calar-se sobre quem realmente o expulsou do hotel” e que algumas dessas intrigas “conduziram ao desgaste” do ex-seleccionador.

“O ex-presidente da FPF sabe bem que as pessoas que o correram do hotel do estágio da selecção são as mesmas com quem ele agora anda de mão dada, alguns dos quais o acusaram, há alguns anos, de ter desviado 100 mil contos das contas que não apresentou na FIFA”, rematou, numa alusão ao Mundial de sub-20 de 1991, realizado em Portugal.

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