Paulo Bento desvendou hoje alguns dos ‘segredos’ da sua forma de exercer a liderança, numa aula aberta da pós-graduação em Treino de Liderança e Desenvolvimento de Equipas, realizada no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Perante mais de meia centena de alunos, o seleccionador nacional de futebol enunciou os quatro princípios que regem a sua conduta enquanto treinador.

O primeiro valor defendido é o respeito. “Temos de ter por todos os intervenientes do processo, seja em que departamento for”, frisa.

Em segundo lugar está a frontalidade. “Aquilo que comunicamos tem de ser o que as pessoas sintam que é verdade”, explicou inicialmente Paulo Bento, para posteriormente vincar a importância deste princípio: “Cometi algumas asneiras sabendo que as ia cometer. Mas entre pagar por dizer a verdade e esconder-me pela mentira prefiro pagar pela verdade.”

Seguidamente surge a solidariedade. “Um processo, seja com quem seja e envolvendo muitas ou poucas pessoas, tem sempre momentos de dificuldades e negativos e aí o primeiro a demonstrar solidariedade deve ser quem lidera.”

Por fim, o seleccionador sublinha a flexibilidade no papel de líder de uma equipa. “Deve ser uma pessoa flexível, mas essa flexibilidade tem os seus limites”, conta Paulo Bento, valorizando a capacidade de adaptação: “Adaptando-me, valorizo e motivo quem está, para depois trabalhar pouco a pouco as minhas ideias. Não posso querer fazer logo tudo numa fase inicial.”

A solidão do treinador

“Sozinho é difícil mudar alguma coisa. Necessita da sua equipa, primeiro da equipa técnica, e depois dos jogadores. No entanto, um líder precisa de alguma solidão. Enquanto homem não gosto, mas enquanto treinador tenho de a procurar em algumas situações para fazer uma reflexão”, conta Paulo Bento na palestra aos alunos do ISPA. 

Por outro lado, a solidão não pode em nenhum momento apagar a sua motivação. “Se alguém sente que o líder está desmotivado, acabou o processo. Não há volta a dar… quando já sentimos que somos mais parte do problema do que da solução o melhor é fazer as malas”.

O seleccionador nacional abordou ainda a formação de subgrupos dentro de uma equipa para alertar para os seus riscos. “O líder deve saber se pode afectar o grupo. Não acho mal, porque são inevitáveis. Tem de se ter cuidado com o que podem trazer de negativo”, conclui.

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