Carlos Queiroz afirma que Portugal volta este ano a participar no Mundial de Sub-20, na Colômbia, devido às «medidas desagradáveis» que implementou na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) enquanto foi seleccionador nacional, entre 2008 e 2010.

«Vai à Colômbia, não vai? Já há alguns anos que não disputava o Mundial de Sub-20», disse Carlos Queiroz à agência Lusa, dias antes de se comemorar o 20.º aniversário do segundo título mundial de Sub-20, conquistado em 1991 em Lisboa sob o seu comando, que se cumpre na quinta-feira.

Segundo o técnico, «houve algumas medidas desagradáveis» que foi necessário tomar «pela liderança Carlos Queiroz ao nível da formação e do Departamento de Formação» da FPF.

«E nós voltámos a ter uma equipa no Mundial», frisou, adiantando que, entre essas medidas, se contam «a alteração de treinadores, alteração de alguns conceitos, da forma de abordar a preparação dos jogadores».

Nos últimos cinco Mundiais, Portugal esteve ausente da fase final em 2009 (Egipto), 2005 (Holanda), 2003 (Emirados Árabes Unidos) e 2001 (Argentina), tendo apenas participado na edição de 2007 (Canadá), na qual foi eliminado pelo Chile (1-0) nos oitavos de final.

Desde que conquistou os seus dois títulos, em 1989 (Arábia Saudita) e 1991 (Portugal), disputaram-se nove Mundiais, com cinco ausências – três delas consecutivas, entre 2001 e 2005 – e quatro participações.

Além de 2007, a selecção portuguesa foi ainda eliminada pelo Japão nos oitavos de final em 1999 (Nigéria), foi terceira classificada em 1995 (Qatar) e afastada na fase de grupos em 1993 (Austrália).

Queiroz, que terminou o seu primeiro ciclo na FPF em 1994, acrescentou, referindo-se ao seu consulado entre 2008 e 2010, que terminou com um polémico despedimento no fim do verão passado após um alegado incidente com os médicos do controlo antidoping no estágio anterior ao Mundial2010, disputado na África do Sul: «E era bom, já que ninguém fala nisso, que as pessoas também pudessem recordar que, à parte de algumas tarefas fundamentais que eu tive na selecção “AA”, essas [as selecções jovens] também fizeram parte das responsabilidades que me foram dadas pelo senhor presidente da Federação», disse.

Segundo Queiroz, quando o contratou para substituir o brasileiro Luiz Felipe Scolari, Gilberto Madail disse-lhe sentir que «o Departamento de Selecções da Federação bateu no fundo em muitas coisas» e pediu-lhe para olhar «para aquilo tudo», de modo a serem tomadas «algumas medidas» para o colocar «no seu devido lugar».

«E falou-me do vazio que existia ao nível da selecção ‘AA’, falou-me das dificuldades enormes que existiam ao nível das selecções jovens, que estavam a seguir conceitos programáticos alguns deles desde o tempo em que eu saí da Federação [1994]», adiantou.

O técnico respondeu que era preciso «reflectir» e «estudar», embora tivesse uma certeza: «Não se pode em 2011, com os novos problemas que o futebol tem, aplicar as mesmas soluções de 1991 e 1989, porque há uma coisa básica, que é inteligente e da vida, que é reconhecer que novos problemas exigem novos desafios e novas soluções».

Carlos Queiroz garante que «muitas coisas mudaram» desde então e isso «foi sentido ao nível da formação e dos resultados do futebol juvenil».

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