"Portugal! Portugal! Portugal!" A meia hora do início da partida, já os primeiros adeptos a entrarem no Estádio José de Alvalade gritavam pela Seleção. É verdade! O público voltou mesmo aos estádios de futebol em Portugal continental no encontro amigável desta quarta-feira entre a seleção portuguesa e a sua  congénere espanhola. E foi tão bom vê-lo vibrar de novo, ao vivo, ainda que em número reduzido...Só faltou mesmo terem tido a possibilidade de gritar "GOLOOOOOOO"!

A todo, foram 2.500 os adeptos privilegiados que puderam estar neste primeiro 'teste piloto' para o regresso dos espectadores aos estádios, como lhe chamou a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas. Não podia entrar mais nenhum. Foi, pois, a 'casa cheia' possível num recinto com lotação para 50 mil pessoas em tempos de COVID-19.

Antes do jogo, a ansiedade do regresso

De máscara , cachecol e equipadas a rigor, Rita e Mariana chegaram ao Estádio José de Alvalade quase duas horas antes do apito inicial. As portas abriam às 18h00, o jogo só começava às 19h45 e certamente, com um número muito limitado de espectadores autorizado a assistir ao jogo no recinto, a 'confusão' de outros jogos da Seleção não se iria certamente verificar. Mas as duas jovens quiseram chegar cedo. A ansiedade de voltar a assistir a um jogo era grande e esperavam ansiosamente por este momento desde que tinham ficado a saber que iam poder voltar a ver uma partida de futebol ao vivo.

"Recebi um email com dois vouchers, a dizer que tínhamos direito a dois bilhetes, e aqui estamos nós. Estamos ansiosas por este regresso ao futebol. Espero que com este jogo as pessoas comecem a ver que há mais segurança e comecem a permitir mais gente. Acredito que para o próximo mês já possa haver ainda mais adeptos", disse ao SAPO Desporto Rita, com um sorriso no rosto que dizia tudo sobre a alegria que estava a sentir.

"Disseram-nos apenas para mantermos a mascara o jogo todo e mantermos as distâncias. Vai ser ótimo poder apoiar os jogadores, estamos prontíssimas. O resultado, logo se vê...o mais importante hoje é estarmos aqui", acrescentou a Mariana.

Rita e Mariana estavam ansiosas por voltar a entrar num estádio
Rita e Mariana estavam ansiosas por voltar a entrar num estádio créditos: SAPO Desporto

Outro adepto, também ele equipado a rigor, com a camisola de Portugal, João Nunes, viu satisfeito o seu desejo de ir ao jogo graças a um passatempo que ganhou no local onde trabalha. Presença assídua nos estádios até há sete meses, altura em que "o mundo mudou", depressa constatou que o processo de entrada no recinto era agora bem diferente. Encontrámo-lo junto às bilheteiras, a tentar perceber quem lhe poderia guardar o capacete da mota, porque o habitual bengaleiro do Estádio de Alvalade não estava a funcionar.

"Tinha muita vontade de vir a este jogo e cá estou eu, com o meu irmão. Houve um passatempo no meu trabalho e tive a sorte de ser o mais rápido a responder para ganhar os bilhetes. Costumamos ir à bola, temos um cativo no Estádio da Luz, que é um bocadinho diferente deste, mas o que interessa é o espírito do futebol. Tinha ido a um jogo da última vez que foi permitido e cá estou eu agora! O regresso vai ser em grande. Claro que também nós vamos estar um pouco enferrujados, mas não é nada que não se recupere", garantiu, destacando depois o momento do hino como o que mais aguardava. "Vai ser arrepiante, mesmo com pouca gente. Nesta altura é o que podermos ter. Ainda estamos a descobrir como vai funcionar. Agora vou tentar descobrir o que faço ao capacete..."

Presença habitual nos jogos do seu clube, o Benfica, João Nunes equipou-se a rigor para apoiar a Seleção neste regresso dos adeptos aos estádios...em Alvalade
Presença habitual nos jogos do seu clube, o Benfica, João Nunes equipou-se a rigor para apoiar a Seleção neste regresso dos adeptos aos estádios...em Alvalade créditos: SAPO Desporto

Já Mariline Antunes foi ver o jogo com os seus dois filhos. "Já estávamos com saudades de vir ao Estádio. Claro que vai ser uma nova experiência, com COVID, mas vai correr bem. Disseram-nos apenas que as portas abriam às 18h00 e que naturalmente havia algumas questões de segurança a acautelar, algumas declarações de consentimento, quando tivemos acesso aos bilhetes, no site da FPF, mas acho que vai correr bem. No fundo, quando entrarmos no estádio acho que nos vamos abstrair do assunto do COVID, embora ele faça parte das nossas vidas", vaticinou.

 O '12º jogador' regressou para cantar o hino, aplaudir...e até assobiar

E foi mesmo o que aconteceu. Todos de máscara, todos com o devido distanciamento e todos com a temperatura medida à entrada, os adeptos foram entrando. Antes do apito inicial já se ouvia gritar por Portugal dentro estádio. Eram poucos, mas bons...

Adeptos regressaram aos jogos da Seleção
Separados por várias cadeiras, mas unidos a uma só voz a cantarem o Hino, os adeptos de Portugal fizeram-se ouvir neste regresso aos estádios. créditos: © 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Para quem - como este que vos escreve - tem nos últimos meses acompanhado os jogos completamente despidos de público, a diferença foi abissal. Para muito melhor. Aqueles 2.500 pareciam 25 mil, depois de tantos jogos a ver as bancadas despidas.

Cantaram o hino - que bom deve ter sido para os jogadores terem quem o cantasse com eles - e, como a mãe e adepta Marline Antunes tinha vaticinado à conversa com o SAPO Desporto antes de cruzar os portões da Porta 3 do José de Alvalade, esqueceram por 90 minutos a COVID-19 e fizeram o que, normalmente, os adeptos fazem nos estádios.

Aplaudiram o primeiro ataque de Portugal, entusiasmaram-se quando, aos 25 minutos, Cristiano Ronaldo teve a sua primeira arrancada, vibraram com as bolas na trave e assobiaram quando, por exemplo, Renato Sanches caiu derrubado junto à grande área espanhola e o árbitro nada assinalou. Até disso tínhamos saudades...

O futebol, com adeptos nos estádios, mesmo que sejam poucos, é definitivamente outra coisa!

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