A Juventus é suspeita de estar envolvida em caso de fraude para acelerar e facilitar um exame de italiano tendo em vista a naturalização do futebolista uruguaio Luis Suárez, revelaram hoje as autoridades.

“A investigação permitiu compreender como, no início de setembro, os dirigentes do clube de Turim atuaram, inclusive ao mais alto nível institucional, para ‘acelerar’ o reconhecimento da cidadania italiana de Suárez”, assumiu o ministério público de Perugia, encarregado da investigação.

Sem mais vagas para atletas extracomunitários, a ‘vecchia signora’, na qual atua o português Cristiano Ronaldo, é acusada de ter ajudado à “farsa” que ajudaria a dar a Suárez a nacionalidade transalpina.

Em comunicado de imprensa, é referido que o clube é suspeito de, em conluio com a Universidade de Estrangeiros, ter montado uma “farsa para tentar conseguir o título de italiano B1”, exigível para a obtenção da cidadania.

Da investigação decorre que o conteúdo do teste foi partilhado antecipadamente, “para responder a exigências da Juventus e com o objetivo de conseguir vantagens a nível de imagem para a Universidade”, situação que já tinha sido denunciada em setembro.

Luis Suárez, que acabou por ser transferido para o Atlético de Madrid, é suspeito de ter feito batota, com a cumplicidade dos seus professores italianos, para passar no exame em 17 de setembro, o primeiro passo para a obtenção do passaporte italiano, indispensável para poder ingressar na Juventus.

Volvidos cinco dias do teste o ministério público de Perugia anunciou a abertura de inquérito aos responsáveis da universidade, onde Suárez fez o exame, acusados de fornecer antecipadamente as perguntas.

“Com um vencimento de 10 milhões (de euros) por época, não pode falhar o exame, mesmo que não saiba conjugar os verbos ou fale no infinitivo”, disse um dos visados na investigação, apanhado em escutas telefónicas ordenadas pelo ministério público.

As autoridades destacam o “exame de farsa” que serviu os “pedidos da Juventus” e propuseram suspender por oito meses os dirigentes da universidade sob investigação: Giuliana Grego, reitora da universidade, Simone Olivieri, diretor  e os professores presentes do exame, Stefania Spina e Lorenzo Rocca, todos “por revelação de segredo profissional para ganho patrimonial e falsidade documental”, pedido aceite pelo tribunal de Perugia.

Poucos dias após a abertura da investigação, em setembro, o diretor desportivo da Juventus, Fabio Paratici, indicou que o clube "agiu com total transparência e de acordo com as regras" nesta matéria.

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