O porquê do Sassuolo cálcio, clube da região da Emília-Romagna e que está há meia dúzia de anos na Série A, estar a fazer um percurso notável. O atual 8.º classificado da Liga no meu entender é uma equipa que me enche as medidas e que melhor pratica futebol a nível de europeu. Sim, não estou a brincar! Este Sassuolo apresenta uma qualidade de jogo fora do normal…atrevo-me a dizer que, o seu treinador Roberto de Zerbi, para muitos desconhecido, está entre os melhores treinadores do mundo. Com certeza, num futuro próximo, irão ouvir o seu nome ligado aos maiores clubes Europeus. Não me admirava que fosse o próximo treinador do Barcelona, penso que seria um casamento perfeito.

Todos sabemos que a alteração da regra da saída de bola originou grande interesse e debate entre nós treinadores. Perceber e usar as regras para influenciar o jogo é fundamental e ao mesmo tempo fazê-lo evoluir. E o Sassuolo é sinónimo de criação e evolução deste novo futebol.

Estas formas de construção baixa, normalmente através da estrutura de 3+1, 3+2, 4+1 ou 4+2, devem ser muito bem entendidas…não por serem esteticamente bonitas mas sim por serem realmente úteis. Baseiam-se em princípios fundamentais: Desde logo o controlo do jogo, isto é o domínio total do controlo da posse de bola; uma correta leitura e execução técnica; a ocupação racional do espaço; o conhecer perfeitamente situações de superioridade, inferioridade e igualdade numérica. Todos estes princípios são elementos fundamentais para a equipa perceber o ‘quando’ e o ‘como’ realizar um jogo mais vertical ou em posse.

Adotar um jogo mais vertical, depende absolutamente da pressão adversária: Isto é, quanto maior for a pressão, maior deverá ser a nossa execução vertical. Normalmente, esta pressão implica um maior número de jogadores adversários em zonas mais altas no terreno de jogo, muitas vezes se criam situações de igualdade numérica e, como consequência, o espaço livre existente no meio campo oposto é muito maior.

Figura 1
Figura 1

Geralmente quando te encontras numa situação de igualdade numérica em zonas mais recuadas, não tens muitas vantagens em jogar curto, apesar de poderes sempre recorrer ao teu guarda-redes para criar essa superioridade. De qualquer forma, entendo que seja um risco muito elevado. Portanto o ideal será chegar rapidamente a zonas mais avançadas e aí criar situações de 1x1 que, serão de extrema dificuldade para o adversário. Como chegar? Normalmente através de um jogo mais direto e, muitas vezes com movimentos estereotipados.

Figura 2
Figura 2

Portanto, considero que se se tiver uma correta abordagem para estas situações poderá ter-se algumas vantagens: Desde logo, consegues o objetivo do jogo, marcar golo; atrair os jogadores adversários para zonas mais altas no terreno de jogo para que assim consigas jogar no meio campo adversário, através do jogo entrelinhas de um dos médios ou ponta de lança, e não levar o jogo para as ‘segundas bolas’; o protagonismo, a coragem e a responsabilidade individual e coletiva; melhorar os jogadores do ponto de vista mental, no aspeto tático e técnico, sobretudo na posição de guarda-redes; e por fim, o conhecimento do próprio jogo, conhecer os espaços e tempos, através de uma correta leitura de todos os momentos do mesmo.

Futebolisticamente falando, como poderemos ter êxito na construção baixa? Importante referir que o jogo passou a ser interpretado de diferentes formas, dada a avaliação do contexto e dada a contagem no preciso momento pelos próprios jogadores e não apenas pelo seu treinador. Dito isto, entendo que, através de combinações táticas entre os jogadores mais recuados, é possível encontrar sempre o terceiro homem livre, com a realização de passes em triângulo. Para isso, considero que uma construção de 4+2 (com os laterais por dentro), traga algumas vantagens. Contudo, isto não deve ser visto de uma forma linear, terá de se observar muito bem qual a ação do adversário durante essa ‘sub fase do jogo’, para que depois possas construir de uma “forma ou formas” para que a tua equipa tenha êxito.

figura 3
figura 3

Observando o Sassuolo, durante esta construção baixa, verificamos um conjunto diferente de abordagens, que ocorrem durante o próprio jogo ou, de jornada em jornada…tal como se fosse uma serie de um filme, há sempre novos episódios. Nunca permitem que o adversário oriente ojogo para zonas apetecíveis e de fácil recuperação da posse de bola, o que é extraordinário e absolutamente de louvar. Por isso mesmo, referia no artigo anterior que, determinados movimentos pré-estabelecidos de orientação de jogo para os corredores laterais, durante o pressing organizado, podem não ser eficazes na Serie A.

Como devemos contrariar esta construção baixa do Sassuolo? Bem, como mencionai anteriormente, dificilmente através de um pressing organizado conseguirás recuperar a posse de bola em zonas avançadas. De qualquer forma poderemos atuar sob duas formas distintas. A primeira: realizar esse pressing alto, no entanto, sabendo de antemão que o nosso objetivo principal não será recuperar a bola em zonas avançadas mas sim em zonas mais baixas através de um sentido de marcação em antecipação, realizado de forma perfeita pelos nossos jogadores mais recuados (o que não deixa de ser muito curioso). A segunda forma: será baixar um pouco as linhas até ao setor intermédio, adotando uma postura de contenção e tentar recuperar a bola através da leitura perfeita de trajetórias da bola e de movimentações adversárias.

Entendo que é extremamente difícil enfrentar a organização de jogo deste Sassuolo. Os jogadores e treinadores adversários deverão ter uma capacidade incrível de entendimento do jogo para que possam levar a melhor sobre esta equipa, caso contrário arriscas-te a sofrer um elevado número de golos. Por esta razão, afirmo que, teremos de caminhar no sentido da compreensão e complexidade do jogo, acompanhando sempre a evolução do futebol.

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