A aprovação está prevista para quinta-feira: depois de superar um bom número de obstáculos e com o surto de COVID-19 a dar tréguas, o futebol italiano parece pronto para regressar, apesar de algumas vozes discordantes.

"Um momento importante", resumiu esta segunda-feira Daniele Gastaldello, central e capitão do Brescia, à 'Rádio Rai', sobre o provável regresso em meados de junho da Serie A, interrompido desde 9 de março devido ao surto de COVID-19.

A sua equipa, 'lanterna-vermelha' do campeonato, não tem nada a comemorar de uma temporada que é péssima até agora, mas Brescia, na Lombardia, é uma das cidades onde a COVID-19 causou mais mortes em Itália. Por isso, Massimo Cellino, presidente do clube, mostrou-se contra o regresso do futebol.

Antes de votar a favor do regresso das competições profissionais, assim como todos os outros presidentes, Cellino classificou o regresso de "pura loucura" e disse que estava preparado para dispensar a sua equipa se a temporada terminasse.

Urbano Cairo, presidente do Torino (15.º), não foi tão longe, mas a sua vontade era de suspender a Serie A permanentemente.

"Cedi diante da votação maioritária, mas estou preocupado com os jogadores, que correm o risco de se lesionarem, com o pouco tempo que haverá entre o final desta temporada e o início da próxima", lembrou, na semana passada.

Zlatan Ibrahimovic, uma das estrelas do campeonato desde que voltou ao AC Milan a meio da temporada, lesionou-se esta segunda-feira, o que multiplicou o medo de uma praga de lesões depois de dois meses longe dos relvados. Este é um dos argumentos mais repetidos pelos mais cépticos.

"Acho que será o caos. Se tivesse que falar apenas como técnico, preferiria que se parasse e se voltasse calmamente na próxima temporada. Haverá uma série interminável de jogos e não sei em que estado estarão os jogadores", analisou Roberto Mancini, técnico da seleção italiana de futebol.

Futebol deve pensar num plano B em caso de suspensão definitiva

Muito contido desde o início, o influente presidente do Comité Olímpico, Giovanni Malago, lembra agora que a pandemia de COVID-19 ainda está presente e que o futebol deve pensar num plano B em caso de suspensão definitiva.

O Sindicato de Jogadores (AIC) e os médicos estão a defender os seus interesses. A questão da redução dos salários ainda não foi resolvida em todos os clubes e a responsabilidade em caso de doença continua a ser um assunto complexo.

Damiano Tommasi, ex-médio da seleção italiana e atual presidente do sindicato dos jogadores (AIC), insiste na necessidade de obter quatro semanas completas de treinos coletivos e retomar a competição no dia 20 de junho em vez de dia 13, data estabelecida como referência pelas entidades que regem o futebol italiano.

Mas, além dos argumentos técnicos, o que levanta muitas questões é como gerir uma atividade na qual a distância física é impossível de ser mantida. E isso num país que registou mais de 32.000 mortes desde o início da pandemia.

Numa sondagem publicada no dia 26 de abril pela agência AGI, dois em cada três italianos estavam contra a retoma do futebol. Mas, desde então, parece que a questão saiu do debate público.

Não ao futebol sem 'tifosi'

No mundo das adeptos e em alguns meios de comunicação social, a oposição ao regresso, ou pelo menos ao futebol à porta fechada devido a COVID-19, continua em vigor.

"Mas que futebol é este? Uma Serie A que faz as pessoas rirem", escreveu 'Il Romanista', um jornal inteiramente dedicado à Roma, que é no entanto um dos clubes mais favoráveis ao retorno do futebol ainda esta época.

Os principais jornais desportivos italianos estão divididos entre o entusiasmo do 'Corriere dello Sport' e a prudência da 'Gazzetta dello Sport', jornal do Norte, cujo dono é Urbano Cairo.

Entre os adeptos a unidade é mais explícita. De Brescia a Lecce, passando por Bérgamo, Nápoles, Roma e Turim, todos são unânimes em 'gritar' não ao futebol sem 'tifosi' [adeptos].

Uma petição de adeptos está a circular online, pedindo ao governo para não encerrar a temporada. Os seus assinantes são um grupo de adeptos da Lazio, o segundo na classificação geral, a apenas um ponto da Juventus.

Com dois títulos italianos em 120 anos de história, o clube da capital não quer perder esta grande oportunidade de reconquistar a Série A.

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