Por seu turno, o dirigente sportinguista responsável pela academia de formação e estágio de Alcochete, onde se registaram os confrontos, congratulou-se pela decisão do órgão de recurso da FPF, remetendo qualquer decisão sobre o título para os responsáveis federativos.

"Em função da decisão expressa no acórdão do Conselho de Justiça, hoje notificado, em que se pode ler 'mantendo-se a decisão recorrida', confirma-se a atribuição do título de campeão nacional de juniores da época 2008/2009 ao Sport Lisboa e Benfica", lê-se numa nota no sítio oficial do clube da Luz na Internet.

Contudo, os dirigentes do Benfica, referindo que o documento é "pouco ou nada conclusivo e até, em algumas partes, ininteligível", instam a FPF a "divulgar quais as consequências que daí extrai".

"A decisão veio repor a verdade dos factos. Não foram as alegadas faltas de condições do campo nº 1 da Academia Sporting que estiveram na origem dos incidentes, mas sim, a falta de princípios e valores desportivos de alguns adeptos do Benfica, os quais não souberam respeitar o que se pretendia que fosse uma festa do futebol jovem", declarou Pedro Mil-Homens, também administrador da SAD do Sporting, à Agência Lusa.

O órgão de recurso da FPF não atendeu ao pedido de revisão da decisão do Conselho de Disciplina (CD) da FPF de 22 de Julho, interposto pelos "encarnados", mas deu providência parcial ao apelo dos responsáveis do Sporting, atribuindo aos adeptos do clube da Luz a responsabilidade pela invasão de campo dos adeptos do Sporting, no jogo de 27 de Junho, em Alcochete, a contar para a fase final do campeonato nacional de juniores.

O encontro foi interrompido aos 26 minutos devido aos confrontos entre os espectadores e não mais foi reatado por falta de condições de segurança. Então, ambos os clubes foram punidos pelo CD com derrotas, por 3-0, multas de 625 euros e condenados a defrontarem-se à porta fechada nas próximas três ocasiões.

"Não foram os sócios e adeptos do Sporting, os causadores dos incidentes que vieram a ocorrer. A sua entrada em campo resultou da necessidade de procurarem fugir às ameaças de que estavam a ser vítimas. A hora tardia a que o grupo de adeptos do Benfica chegou à Academia, o seu comportamento para com as forças de segurança durante o trajecto, o local onde decidiram estacionar as suas viaturas e as declarações que alguns fizeram às forças policiais, constituíram razões suficientes para que o CJ tenha considerado a existência de certa premeditação", continuou Mil-Homens.

O CJ entendeu alterar a decisão do CD de penalizar o Sporting com base no artigo 147.º do Regulamento Disciplinar (ofensas corporais muito graves a agentes desportivos), considerando que a invasão de campo dos sportinguistas foi um acto de defesa ao ataque de que foram alvo e classificando-o como "comportamento incorrecto do público", a que foi agora atribuída a multa de 500 euros, prevista no artigo 156.º do mesmo regulamento.

"Não há outra interpretação possível. Fomos absolvidos daquela infracção disciplinar. Agora, é com a federação. Se vai homolgar o campeonato, se não vai. Se vai ter uma atitude pedagógica e não atribuir o título. O importante é que foi reposta a verdade", concluiu Mil-Homens.

Na altura dos acontecimentos, na sexta e última jornada da fase final da prova, o Benfica liderava o campeonato, com mais dois pontos que o Sporting, necessitando apenas do empate para garantir o título, mas viu-se agora punido com a derrota, por 3-0.

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