Investigadores portugueses concluíram que um mês contínuo de jejum intermitente melhora a capacidade física anaeróbia e reduz o tempo que cada pessoa leva a cumprir o mesmo trabalho físico, podendo fazer a diferença para obter mínimos de qualificação ou subir ao pódio.

A equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana fez duas intervenções distintas nas pessoas que analisou: numa cumpriram a dieta habitual e noutra apenas de alimentavam durante uma janela de oito horas, podendo nas restantes 16 horas do dia consumir apenas líquidos sem valor calórico (jejum intermitente).

Segundo explicou à Lusa Gonçalo Vilhena Mendonça, que coordenou a equipa, aplicaram-se duas intervenções distintas, em homens com boa condição física, com um “período de lavagem” entre elas.

Um dos grupos em análise começou pelo jejum intermitente e, depois do ‘período de lavagem’, cumpriu a dieta alimentar habitual, e vice-versa. Em ambas as condições, todas as pessoas treinaram três vezes por semana, cumprindo o mesmo protocolo de treino

“Foram avaliados ao fim de uma semana e ao final de um mês”, explicou o investigador, sublinhando que a intenção era medir a capacidade anaeróbia, com as pessoas a pedalarem o máximo que conseguiam contra a resistência durante 30 segundos.

Esta prova de bicicleta mostrou que a média de potência debitada nos pedais melhorou com o jejum intermitente, e não com a dieta habitual, mas apenas melhorou com o jejum intermitente ao fim de um mês.

Neste trabalho, conduzido pela investigadora Joana Correia, a equipa conseguiu ainda medir, em joules, o trabalho físico produzido em 30 segundos a pedalar na bicicleta, antes e depois do jejum intermitente, concluindo que os atletas cumpriram o mesmo trabalho físico retirando um segundo ao tempo necessário para cumprir o trabalho inicial.

“Parece pouco, mas, quando falamos de atletas de elite, os recordes e o primeiro ou segundo lugar batem-se por décimas ou centésimas”, afirmou o investigador, explicando: “Um segundo em termos atléticos é muita coisa. Faz a diferença entre estar ou não no pódio ou obter mínimos de qualificação em provas decisivas”.

O responsável deu ainda um exemplo: “Se pensarmos no que diferencia o atual e o anterior recorde mundial dos 400 metros estamos a falar de 15 centésimas de segundo e se pensarmos concretamente, por exemplo, nos 400 metros de pista coberta no nosso país, este ano foi batido o recorde nacional (…) por uma décima”.

“1.1 segundos de melhoria de tempo para cumprir um determinado volume de trabalho é uma melhoria que, num universo de atletas de elite, é muito importante. Poderá fazer toda a diferença e fazer subir atletas ao pódio e outros descer, mas também é importante para aqueles atletas que não são atletas de elite, como o atleta que pretende qualificar-se com mínimos para determinada prova e que indo buscar este segundo extra (…) poderá qualificar-se”, explicou.

O investigador do Laboratório de Função Neuromuscular da Faculdade de Motricidade Humana sublinhou ainda que estes resultados foram obtidos “manipulando apenas a janela horária da ingestão alimentar”, não mexendo sequer na componente nutricional, ou seja, nos alimentos consumidos, nem na de treino.

“Só se mexeu aí, na janela horária para ingestão alimentar, sublinhou o especialista, lembrando: “só existiam estudos destes feitos com o Ramadão, que se sabe prejudicar a capacidade anaeróbia pois não permite a hidratação”.

O trabalho foi publicado no Internacional Journal of Environmental Rsearch and Public Health (https://www.mdpi.com/1660-4601/18/14/7227).

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