A ciclista Anche Cabral, de 31 anos, teve recentemente duas grandes surpresas, ao ser convidada para fazer a estreia de Timor-Leste no ‘cross country’ olímpico e depois, em 24 horas, ao conseguir apoio financeiro para ir aos Jogos Rio2016.

Foi feito um apelo nas redes sociais para que a atleta recebesse apoio financeiro para poder deixar o seu trabalho um mês e, ainda assim, ajudar a família - que depende do seu rendimento - e ainda estar no Rio de Janeiro.

"Fiquei muito surpreendida e muito contente. Para os timorenses é a primeira vez que vamos competir nesta modalidade do ‘mountain bike’. Não vai ser fácil para mim, não sou tão competitiva como outros atletas, mas é uma honra representar o meu país", disse à agência Lusa.

Além de Anche Cabral, a delegação timorense que vai estar no Rio de Janeiro inclui dois outros atletas, Augusto Ramos e Nélias Martins, que vão ambos competir nos 1.500 metros, sendo que todos são ‘wild cards’.

O sistema de convites está desenhado para promover e encorajar o desporto em várias modalidades em países onde o acesso à competição e a recursos nem sempre permite aos atletas ter acesso aos ‘palcos' internacionais.

No caso de Timor-Leste as participações nas edições têm sido sempre por convites, com a delegação histórica - a primeira - a competir em 2000 nos Jogos Olímpicos de Sydney, onde se destacou a maratonista Águeda Amaral que conseguiu acabar a prova.

Desta vez, o destaque vai para o ciclismo no qual Timor-Leste se estreia, marcando os esforços que o país tem vindo a desenvolver para promover esta modalidade, nomeadamente através do anual Tour de Timor que, este ano, se realiza em setembro.

Para Anche Cabral à surpresa do convite para participar seguiu-se a surpresa da resposta de cidadãos anónimos, nacionais e estrangeiros, que através de uma plataforma de angariação de fundos lhe deram mais de 5.000 dólares.

O apoio foi tanto que a atleta até vai conseguir ir mais além do que pensava, estando já próxima de conseguir suficiente dinheiro para comprar uma bicicleta sua, deixando de ter que usar a do amigo e treinador, Nelson Santos, em que treina diariamente entre 30 e 50 quilómetros.

Funcionária da Air Timor, a companhia aérea timorense, há quatro anos, Anche Cabral já competiu em várias provas na Ásia e em Timor-Leste, acumulando 84 pontos.

"Vou fazer o melhor que puder. Não sei o que vai acontecer, as provas são difíceis mas vou tentar o meu melhor", garantiu.

A atleta timorense vai competir no Centro de Mountain Bike, um percurso de 5.400 metros inserido no Parte Radical e que aproveita a topografia da região para desafiar os participantes, com o calendário a prever como dias de competição 20 e 21 de agosto.

Segundo a página oficial do Rio2016, a edição deste ano conta com a participação de 80 atletas (50 homens e 30 mulheres).

O ‘cross-country’ fez sua estreia olímpica em Atlanta96 e esteve presente em todas as edições dos Jogos desde então, sendo hoje uma das quatro disciplinas de ciclismo em prova.

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