Pedro Pablo Pichardo acaba de conquistar a medalha de ouro na prova do triplo salto dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, com novo recorde nacional, elevando para quatro o número de medalhas obtidas por atletas portugueses, o melhor resultado de sempre.

Pichardo venceu o concurso com um salto de 17,98 metros, conquistando a primeira medalha de ouro para Portugal em Tóquio2020, depois da de prata de Patrícia Mamona na prova feminina do triplo salto e das de bronze do judoca Jorge Fonseca (-100 kg) e do canoísta Fernando Pimenta (K1 1.000).

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Pichardo abriu o concurso logo com 17.61 metros, tomando a dianteira da final. No segundo salto fez exatamente a mesma marca, antes de saltar para o recorde nacional com uns fantásticos 17.98. No quarto ensaio fez nulo, abdicou do quinto e no sexto, já com o ouro garantido, tentou o recorde olímpico e mundial mas não conseguiu.

As imagens da final que deu o ouro a Pablo Pichardo

O atleta português vai receber a medalha de ouro de Tóquio2020 pelas 18:47 de Tóquio, 10:47 em Lisboa, na cerimónia de pódio.

Um recorde e um ouro que sabem a pouco

Logo após a conquista do ouro no triplo salto e uma volta ao estádio olímpico enrolado numa bandeira portuguesa, Pedro Pablo Pichardo falou à RTP onde proferiu as primeiras declarações como campeão olímpico. Mesmo com o título, o português não parecia muito feliz. Faltou alcançar outro objetivo, além do ouro

"Eu acho que não há limites. 17.98. Estou mais feliz. Sou campeão olímpico. Queria ultrapassar os 18 metros e ser o primeiro português a fazê-lo. O que tínhamos planeado era saltar 18.40. Era essa a marca que estávamos à espera. Mas durante o aquecimento comecei a sentir alguma dor, mas consegui fazer este salto e levar a vitória para o país. Quero dizer muito obrigado a todos, pela forma como me receberam desde o primeiro dia que cheguei a Portugal", atirou.

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Mais tarde, em conferência de imprensa, sublinhou que o ouro olímpico que conquistou no triplo salto em Tóquio2020 é a melhor forma de prestar tributo a Portugal, pelo modo como o acolheu quando teve de sair de Cuba.

"Este ouro tem um significado muito grande, pois é a única forma que tenho de agradecer ao país que me apoiou desde o primeiro dia. Agradecer com medalhas e bons resultados", desabafou, na conferência de imprensa no estádio olímpico.

O atleta natural de Cuba, de 28 anos, efetuou o seu melhor salto, de 17,98 metros, à terceira tentativa, e bateu o seu o recorde nacional por três centímetros, impondo-se ao chinês Yaming Zhu, com 17,57, e a Fabrice Zango, do Burkina Faso, com 17,47, que conquistaram as medalhas de prata e de bronze, respetivamente.

Portugal superou os resultados alcançados em Los Angeles1984 e Atenas2004, edições em que subiu três vezes ao pódio, passando a totalizar 28 medalhas em Jogos Olímpicos (cinco de ouro, nove de prata e 14 de bronze), 12 das quais no atletismo, modalidade que proporcionou também os cinco títulos olímpicos.

Na qualificação Pichardo já 'cheirava' a ouro

Na terça-feira, Pichardo, de 28 anos, assegurou a presença na final, com 17,71 metros, à segunda tentativa, no que foi a melhor marca de sempre numa qualificação em Jogos Olímpicos.

O saltador luso chegou a final como um dos principais candidatos ao ouro, sendo que o próprio afirmou, na zona mista, após a qualificação, que tinha nas pernas um salto de 18 metros, que queria concretizar na final. Ficou a apenas a dois centímetros.

O atleta luso-cubano é quinto campeão olímpico português, após Carlos Lopes (maratona de LosAngeles1984), Rosa Mota (maratona de Seul1988), Fernanda Ribeiro (10.000 metros de Atlanta1996) e Nelson Évora (triplo salto de Pequim2008).

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Nascido em Cuba a 30 de junho de 1993 (28 anos), Pedro Pablo Pichardo naturalizou-se português em 2017 mas apenas em outubro de 2018 a Federação internacional de atletismo oficializou a sua nacionalidade portuguesa. No entanto, o português ficou com uma cláusula de exceção, onde apenas podia competir com a camisola de Portugal nas grandes competições a partir de 01 de agosto de 2019.

Pichardo, atleta do Benfica desde abril de 2017, é o recordista nacional no triplo salto, agora com 17,98 metros mas tem como recorde pessoal os 18,08 metros, alcançado em Havana, em maio de 2015. É um dos cinco atletas que já ultrapassou a emblemática barreira dos 18 metros.

Um 2021 histórico

O atleta está a ter um 2021 de grande nível, depois de se ter sagrado campeão europeu em Torun, Polónia. O triplista chegou a Tóquio com a marca de qualificação de 17,47, alcançado a 06 de junho de 2019, em Roma.

O atleta nascido em Santiago de Cuba passa a ser detentor da melhor marca mundial do ano no triplo salto, com um salto de 17,98 metros, que lhe valeu o ouro em Tóquio. Antes dos Jogos Olímpicos, tinha conseguido a melhor marca do ano, alcançado em Székesfehérvár, na Hungria. Há dois anos, foi quarto classificado nos Campeonatos do Mundo, já como português, mas no seu currículo conta ainda com duas medalhas de prata, em 2013 e 2015, ainda como atleta de Cuba.

O saltador de 28 anos estreou-se no triplo salto pela seleção portuguesa de atletismo na Liga das Nações que se realizou em Sandnes, na Noruega, entre 09 e 11 de agosto de 20219.

O filme da final do triplo salto

Começa a final do triplo salto, com o norte-americano Will Claye a abrir as hostilidades com um salto de 17.19 metros.

Pedro Pichardo, a grande esperança portuguesa em medalhas nesta final, será sempre o sexto a saltar.

No primeiro salto, Pichardo consegue logo 17.61 metros e assume a liderança da final, mesmo tendo deixado 13.1cm na tábua de chamada. Que entrada do português! Fantástico!

Hugues Fabrice Zango, um dos grandes rivais de Pichardo, entrou com um salto de 15.91 metros. O burquinês volta a mostrar dificuldades, depois de ter conseguido a qualificação mesmo à justa.

Yasser Mohamed Triki fez o segundo melhor salto - 17.30 - nesta primeira ronda, seguido de Will Claye, com 17.19 metros.

Resultados após a primeira ronda de saltos

Pedro Pichardo, 17.61
Yasser Mohamed Triki, 17.30
Will Claye, 17.19
Donald Scott, 17.15
Yaoqing Fang, 16.95
Necati Er, 16.84
Yaming Zhu, 16.63
Andrea Dallavalle, 16.62
Hugues Fabrice Zango, 15.91
Emanuel Ihemeje, nulo
Cristian Napoles, nulo
Melvin Raffin, nulo

Na segunda ronda de saltos, o chinês Yaming Zhu bate o recorde pessoal e salta para segundo, com 17,41.

O segundo salto de Pichardo é também fantástico e é igual ao primeiro: 17,61 centímetros. O português ameaça os 18 metros. Mostra-se insatisfeito com mais este salto e fala com o seu treinador, que também é seu pai.

Fantástico segundo salto de Yasser Mohamed Triki, que faz 17.42 e bate o recorde da Argélia. Um salto que lhe permite voar para a segunda posição, ao cabo de duas rondas. O chinês Yaming Zhu viu e não gostou. Está pressionado.

Resultados após a segunda ronda de saltos

Pedro Pichardo, 17,61
Yaming Zhu, 17,41
Yasser Mohamed Triki, 17.42
Will Claye, 17,19
Donald Scott, 17.15
Yaoqing Fang, 16.95
Andrea Dallavalle, 16,85
Necati Er, 16.84
Hugues Fabrice Zango, 16.83
Cristian Napoles, 16.63
Emanuel Ihemeje, 16.52
Melvin Raffin, nulo

Will Claye está na luta pelas medalhas e consegue 17.44 no terceiro salto, saltando assim para o segundo lugar. O norte-americano é um perigo e faz o seu melhor resultado neste ano de 2021.

Esta terceira ronda é crucial já que apenas os oito melhores terão direito a disputa das medalhas e a mais três saltos finais.

FANTÁSTICO PICHARDO!!! É RECORDE NACIONAL!!! É O OURO A BATER À PORTA. Português voa para uns estonteantes 17.98 metros, bate o recorde nacional que já lhe pertencia e lidera destacado a final do triplo salto.

Atenção que Hugues Fabrice Zango parece ter 'acordado'. O atleta do Burquina Faso acaba de saltar para o segundo posto com um salto de 17.47 metros, mesmo saltado a vários centímetros da plasticina. Neste momento o terceiro melhor colocado é Will Claye, com 17.44.

Resultados após a terceira ronda de saltos

Pedro Pichardo, 17.98
Hugues Fabrice Zango, 17.47
Will Claye, 17.44
Yasser Mohamed Triki, 17.42
Yaming Zhu, 17.41
Donald Scott, 17.15
Yaoqing Fang, 16.95
Necati Er, 17.25

...

Andrea Dallavalle, 16.85
Cristian Napoles, 16.63
Emanuel Ihemeje, 16.52
Melvin Raffin, nulo

Os oito primeiros vão fazer mais três saltos, na luta pelas medalhas, os derradeiros quatro colocados estão eliminados e  fora das medalhas.

E ao quarto salto, Pichardo faz nulo. O português só fez um dos saltos e queixa-se de algo nas suas sapatilhas. Mas está tudo bem com Pichardo.

Nesta quarta ronda de saltos, só o norte-americano Donald Scott melhorou. Fez 17.18 metros, neste que é o seu melhor resultado do ano.

Resultados após a quarta ronda de saltos

Pedro Pichardo, 17.98
Hugues Fabrice Zango, 17.47
Will Claye, 17.44
Yasser Mohamed Triki, 17.42
Yaming Zhu, 17.41
Donald Scott, 17.15
Yaoqing Fang, 16.95
Necati Er, 17.25

Isto começa a aquecer. Na quinta ronda de saltos, o chinês Yaming Zhu salta 17.57, volta a bater o seu recorde pessoal e salta para o segundo posto, ultrapassando Zango e Claye.

Zango faz 17.41 e não melhora. Claye também não melhora ao saltar 17.04.

Pichardo abdica do quinto salto. O português está a fazer alguns exercícios no pé esquerdo, porque ter-se-á lesionado, no quarto salto quando fez nulo. Para já o primeiro lugar está assegurado.

Resultados após a quinta ronda de saltos

Pedro Pichardo, 17.98
Yaming Zhu, 17.57
Hugues Fabrice Zango, 17.47
Will Claye, 17.44
Yasser Mohamed Triki, 17.43
Necati Er, 17.25
Donald Scott, 17.18
Yaoqing Fang, 17.01

Entramos agora na última ronda de saltos. É o tudo ou nada. Quem quiser roubar o ouro a Pichardo e a Portugal terá de voar e muito.

O argelino Yasser Mohamed Triki não melhora mas sai de Tóquio com o recorde da Argélia.

Zango faz o seu último salto, com 17.43 e dá o bronze ao Burquina Faso. O chinês Yaming Zhu não melhora, fica com a prata e o ouro é para Pablo Pichardo, que fez nulo no último salto, quando tentava os 18 metros.

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