É um dos gestos que está a marcar esta edição dos Jogos Olímpicos e que incorpora o verdadeiro espírito dos jogos. Mutaz Essa Barshim, do Qatar, e Gianmarco Tamberi, de Itália, andaram de 'mãos dadas' durante toda a final do salto em altura, até chegarem ao ouro. Após percursos sem qualquer derrube, ambos derrubaram por três vezes a 2,39 metros, sem critério de desempate que os permitisse separar.

A solução regulamentar era fazer o chamado 'jump-off', ou seja prosseguir com altura mais baixa até alguém falhar, solução essa oferecida pelo juiz da final. Mas a dupla optou pela opção mais justa: dividir o ouro, algo que não se via há 113 anos no atletismo nos Jogos Olímpicos.

"Podem continuar a saltar para desempatar", lembrou-lhes o juiz do encontro, ao que Mutaz lhe perguntou: "Caso contrário, o ouro é para os dois, certo?". O sim do outro lado deu lugar a uma das imagens destas olimpíadas, num abraço efusivo entre Mutaz Essa Barshim e Gianmarco Tamberi. Uma abraço que tem outra história.

Tamberi e Barshim, uma amizade de longa data

Em 2016 Gianmarco Tamberi sofreu uma fratura num tornozelo durante uma prova no Mónaco, algo que lhe roubou a presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, pouco tempo depois de ter batido o recorde pessoal, ao saltar 2,39 metros. Voltaria apenas em 2017, longe da sua melhor forma. Uma prestação muito abaixo do esperado na Liga Diamante em Paris deixou o italiano de rastos.

Tamberi isolou-se no quarto do hotel onde estava hospedado, sem querer falar com ninguém. Quando a prova terminou, Bashim tentou inteirar-se da situação de Tamberi. O italiano não estava para ninguém mas o qatari avisou-o que só sairia da sua porta quando este o deixasse entrar.

Tamberi cedeu, os dois tiveram uma longa conversa e nasceu aí uma bela amizade. O italiano revelou que tinha chorado muito e que temeu nunca mais voltar ao seu melhor nível. Bashim aconselhou-o a ter calma, a ir devagar na recuperação.

A conversa foi animadora para Gianmarco que, contou, ligou depois a um organizador de uma prova na Hungria a pedir que aceitasse a sua inscrição para competir mas sem revelar à imprensa a sua presença no evento. Só o organizador e Barshim sabiam que Tamberi iria estar na prova em Budapeste.

Desligou-se da família e do mundo (três dias sem contactos com ninguém), focou-se na prova e conseguiu saltar 2,28 metros, depois de não ter conseguido ir além dos 2,21 nas três provas anteriores. Aos poucos, Tamberi ia ganhando confiança. Até chegar o tão desejado ouro.

O curioso amuleto de Tamberi

Além do abraço ao amigo Barshim, Tamberi deu nas vistas nestes Jogos Olímpicos pelo seu amuleto... peculiar. O italiano festejou a conquista da medalha de ouro no salto em altura com a bandeira do seu país numa mão e a moldura de gesso que lhe protegia o tornozelo aquando da sua lesão em 2016 na outra. No mesmo, está escrito. 'Rumo a Tóquio2020, com correção para 2021.

Do outro lado, a testemunhar este momomento histórico, estava o bielorusso Nedasekau, que também saltou os 2,37 metros mas teve um nulo durante a final e ficou com o bronze.

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