O domínio do futebol na perspetiva portuguesa do desporto “ofusca” as outras modalidades, segundo José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), reconhecendo-o como uma inevitabilidade.

“É o nosso caderno de encargos. Não há como fugir a isso. Noutros contextos, a perceção do valor desportivo é mais disseminada por outras modalidades, mas aqui temos uma perspetiva monotemática, que é futebol, futebol, futebol, futebol, e isso em certos momentos ofusca um pouco a dimensão desportiva do país e a vida, conquistas, resultados, de outras modalidades desportivas”, afirmou o dirigente.

Em vésperas do início dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, em entrevista à agência Lusa, José Manuel Constantino realçou que este foco também se fica a dever à agenda política dos governos.

“Gostaria, não que se deixasse de gostar do futebol, mas que se estabelecesse algum equilíbrio relativamente à dimensão desportiva do país, e ao que são os valores que o futebol tem, que são indiscutíveis, os atletas, federação, etc, e outras modalidades, muitas vezes operando em contextos muito mais restritivos, com muito mais dificuldades, sem os estímulos que tem o futebol. É desejável encontrar outro equilíbrio, e aqui há muita responsabilidade das políticas públicas, a agenda política dos governos, como se chama a atenção para a realidade desportiva do país, ou como não se chama”, referiu.

Esta posição segue-se às críticas pela ausência do setor no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para resposta à pandemia de covid-19, aprovado pela Comissão Europeia.

“A nossa opinião é que o desporto tem sido um parente pobre na agenda política do Governo. Há um conjunto de comportamentos que têm sido desvalorizantes da importância do desporto na agenda política, e que isso também não ajuda a valorizar esta dimensão da vida do país. O nosso desejo, a nossa expectativa, é que as políticas públicas possam avaliar criticamente o seu posicionamento e possam, desejavelmente, reverter a situação para um posicionamento diferente ao que têm tido”, frisou.

Mesmo assim, e apesar da contestação, relativamente à Missão de Portugal para os Jogos Olímpicos, tudo tem decorrido dentro da normalidade.

“Do Governo, no que concerne à preparação olímpica, não tenho tido nenhuma dificuldade ou obstáculo. Tudo o que estava contratualizado tem sido cumprido pelo Governo. Não ignoro que causem algum incómodo, algum desconforto, muitas das posições que o COP toma sobre as posições do Governo. Mas entendo ser a nossa obrigação. O meu partido é o desporto, é por ele que me bato e luto. Tenho obrigação de defender, junto dos governantes e de quem tem responsabilidades políticas, como a Assembleia da República e os partidos, o que entendo dever ser a defesa do desporto”, concluiu.

Portugal vai estar representado por 92 atletas, em 17 modalidades, nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, que vão ser disputados entre 23 de julho e 08 de agosto, depois do adiamento por um ano devido à pandemia de covid-19.

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