O candidato ao Comité Olímpico de Portugal (COP) Laurentino Dias elogiou hoje a aproximação do novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, ao organismo, acenando ainda à "costela desportiva" do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O jurista, de 71 anos, recusou que a sua militância socialista o prejudique no relacionamento com o atual Governo, liderado pelo social-democrata Luís Montenegro.

"De forma nenhuma, de forma nenhuma. Tive o cuidado de dizer que agradeço ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, de quem sou amigo, aquilo que ele fez em dezembro, concedendo aquele contrato que foi assinado entre o COP e o Instituto Português do Desporto e Juventude [IPDJ]", respondeu Laurentino Dias.

O antigo secretário de Estado da Juventude e do Desporto dos governos de José Sócrates recordou a amizade com o atual líder do Executivo, apelando ao seu gosto pelo desporto.

"Estivemos muitos anos a trabalhar em áreas diferentes, em bancadas diferentes, mas no mesmo local - e reconheço que ele tem uma costela - não sei se é muito grande - de relação com o desporto. Portanto, estou à espera de ter no primeiro-ministro e no Governo da República uma cooperação sem a qual o COP não consegue desempenhar bem a sua função", prosseguiu.

Laurentino Dias referia-se ao contrato-programa no valor de 49,6 milhões de euros para o período entre 2024 e 2028, que integra cinco medidas e 14 programas, alinhadas com os quatro objetivos do Governo para o setor: aumentar a prática desportiva, promover a igualdade de género, aproximar Portugal das melhores práticas europeias e diminuir o nível de excesso de peso e obesidade.

Quase dois terços do investimento serão realizados nos primeiros anos do contrato (29,2% em 2025 e 32,3% em 2026), com o restante a ser aplicado em 2027 (19,2%) e 2028 (19,3%), ano em que se disputam os próximos Jogos Olímpicos, em Los Angeles.

"Nós temos, na nossa equipa, um conjunto de pessoas que acompanharam José Manuel Araújo e José Manuel Constantino, que imprimiu a esta casa uma qualidade, um nível de excelência até aqui inigualável. Nós queremos ser capazes de continuar esse nível de excelência e introduzir alguma inovação", sublinhou, reconhecendo ser "possível ir mais longe do que aquele contrato que está assinado com o Governo".

O fafense justificou a apresentação da candidatura, concorrendo com Fernando Gomes, ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e Alexandre Mestre, também antigo responsável pela tutela, com o processo "lento e gradual" de construção do programa.

"[Foram] Inúmeras reuniões com federações olímpicas, não olímpicas, atletas, treinadores e isso leva tempo. Quisemos usar todo o tempo para, com isso, conciliar a auscultação de toda a gente. Em todo caso, estou muito otimista e muito satisfeito com a adesão que tem tido o nosso projeto, o nosso programa e a nossa campanha", afirmou.

Laurentino Dias deixou alguns recados a Gomes, a quem reconheceu "toda a legitimidade de ser candidato", criticando o seu anterior afastamento em relação ao COP em contraste com a proximidade do seu sucessor na FPF.

"Eu não gostei de perceber que, ao longo destes 12 anos em que Fernando Gomes foi presidente da FPF, não tenha tido um único dia com oportunidade de vir participar nas reuniões do COP. E, sem prejuízo de eu não saber - não sei nem saberei qual a decisão quanto ao voto da FPF -, gostei, por exemplo, de ter visto ontem [na terça-feira], no seu primeiro dia de trabalho ao serviço da FPF, o Pedro Proença aqui na Assembleia Plenária do COP", referiu.

Para o antigo governante, esta aproximação é o que espera, com "uma atitude diferente do presidente da FPF perante o COP".

"O futebol é a maior das federações nacionais, a maior, é inevitável, e o COP não pode dispensar a maior das federações nacionais para participar nos seus trabalhos e nos seus projetos. É isso que eu desejo para o futuro", sublinhou.

Sem querer antecipar resultados eleitorais, pelo hábito de viver "em democracia e em liberdade", também recusou estabelecer paralelismos quando governava o setor: "Recuo 15 anos, ao orgulho no que tivemos capacidade de fazer, sem fazer comparações com a atualidade".

Mesmo assim, recordou um desafio lançado no passado, pelo então presidente do COP, Vicente Moura, para que Portugal pudesse sonhar com a organização de uns Jogos Olímpicos, algo que Laurentino Dias considerou como "impossível".

"Portugal não tem nenhuma condição para organizar Jogos Olímpicos, que são hoje uma organização brutal, que procura países, cidades com uma dimensão que nós não temos em Portugal. Vamos fazer realizações à nossa medida, por exemplo, como Jogos do Mediterrâneo [de praia] em 2027, no Algarve. Infelizmente, não me parece possível que algum dia tenhamos os Jogos Olímpicos em Portugal. Eu adoraria que houvesse Jogos Olímpicos em Portugal, mas não me parece tão possível", concluiu.

O prazo para a formalização das candidaturas ao COP termina na quinta-feira, tendo cada uma de ser subscrita por nove federações olímpicas.

As eleições marcadas para 19 de março vão eleger o sucessor de Artur Lopes, que assumiu a presidência do COP após a morte de José Manuel Constantino em agosto passado.