O andebolista português Hugo Lima enalteceu hoje a evolução desportiva municiada pela primeira experiência além-fronteiras, culminada na terça-feira com a conquista da II Liga francesa pelo Cesson-Rennes e o regresso imediato dos bretões à elite.

“Já tinha passado por competições europeias, mas queria testar os meus limites e verificar se possuía qualidade suficiente para estar cá fora a jogar. Percebi que consigo combater contra as melhores equipas e os melhores jogadores e o objetivo é continuar por cá a evoluir, porque acho que ainda tenho uma margem de progressão muito grande”, reconheceu à agência Lusa o central oriundo da Amadora.

Hugo Lima, de 25 anos, esteve presente nos 20 encontros disputados pelo conjunto do noroeste gaulês esta temporada, que arrancou com duas eliminações precoces da Taça da Liga e da Taça de França, diante do ‘secundário’ Entente Estrasburgo (27-28) e do semiprofissional Caen Handball (27-26), respetivamente.

Pelo caminho, o Cesson-Rennes foi assinando uma curva ascendente no campeonato e seguia na liderança isolada quando​​​​​​​ teve de encarar a pausa imposta pela pandemia de covid-19​​​​​​​, em 12 de março, somando​​​​​​​ 27 pontos, mais dois do que o Limoges, o outro clube que se juntará ao convívio dos ‘grandes’ do andebol francês em 2020/21.

“Tratarmos do nosso físico é mesmo muito importante, porque os jogos são mesmo desgastantes e todas as equipas defendem de uma maneira agressiva, mas leal. Isso encaixou perfeitamente no meu tipo de jogo muito combativo e acabou por ser uma experiência muito positiva para mim”, avaliou o meia-distância, autor de 30 golos.

O internacional sub-21 português chegou aos arredores de Rennes em pleno verão, finalizando um percurso de 13 anos ao serviço do Benfica, onde cresceu desde os iniciados até aos seniores, passando três épocas por empréstimo no Madeira SAD, após os primeiros passos com as cores da Associação Académica da Amadora.

“Em França, os jogadores vivem para o andebol, as equipas têm grandes orçamentos e os pavilhões são espetaculares. Depois, é toda a festa que se gera à volta disto. Por exemplo, fui jogar à casa do penúltimo [Valence, em 14 de fevereiro, triunfo por 27-24] com 2.500 pessoas a ver. Ver as bancadas cheias ajuda-nos imenso”, ilustrou.

Obrigado a escolher entre os livros ou os treinos, Hugo Lima adiou o gosto pelas Ciências da Nutrição para apostar numa carreira de alta competição, que saiu valorizada com uma Taça de Portugal e uma Supertaça pelas ‘águias’ e duas chegadas à final da Taça Challenge em 2015/16 e 2018/19, antes de adquirir outra visibilidade no estrangeiro.

“O contrato acaba em 30 de junho, mas antes da pandemia tinha acordo para mais dois anos. Com esta paragem toda não sei em que estado ficou e até assinar o contrato é algo que não está certo. Aliás, neste momento acho que ninguém tem a certeza do que sucederá depois de tentarmos voltar à normalidade”, apontou.

Na II Liga francesa também atuam os lusos João Moniz e Tiago Pereira, do Pontault, quinto colocado, com 21 pontos, além de Rúben Sousa e Julien da Silva, do Sélestat, 10.º, com 17, enquanto os internacionais Alexandre Cavalcanti (Nantes), Gilberto Duarte (Montpellier), Wilson Davyes (Ivry) e Pedro Portela (Tremblay) pertencem à elite.

Sem jogos à vista e com o período de confinamento social alargado até 11 de maio, Hugo Lima vai aproveitar o fim de semana para regressar de carro a Portugal, na companhia do antigo parceiro de longa data no Benfica, com quem esteve a ultrapassar o hiato competitivo na quarta nação mais vitimada pelo novo coronavírus (17.167 mortos em 147.863 casos).

“Falámos com as embaixadas e disseram-nos que as autoridades não devem levantar problemas porque somos cidadãos portugueses. Tentaremos ir para junto dos nossos, porque este momento é muito difícil e eles precisam da nossa ajuda”, frisou o central, focado em manter-se ativo até “começar a trabalhar mais a sério” a partir de junho.

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