A interrupção de competições devido à pandemia de COVID-19 está a criar um fosso entre os atletas do Projeto Olímpico e aqueles que não integram aquele programa de apoio, denunciou hoje o presidente da Comissão de Atletas Olímpicos.

No decorrer de um painel de debate da conferência 'Talks Santander/Record', João Rodrigues assumiu que “num momento inicial o governo tomou as devidas cautelas” para salvaguardar os apoios aos atletas que estavam inseridos no Projeto Olímpico para Tóquio2020, mas revelou, por outro lado, a preocupação dos que ficaram ‘à porta’.

“O que temos tido perceção é que está a criar-se um fosso entre os atletas que já estavam integrados no projeto e os que estavam em vias de entrar. Esses atletas, neste momento, não têm um quadro competitivo, não têm os apoios, porque não estavam inseridos num programa onde houvesse apoio financeiro, e, portanto, esse fosso está a aprofundar-se lentamente”, explicou João Rodrigues.

De acordo com o velejador, os atletas receiam que “depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio” essa diferença “seja muito pronunciada” e que se traduza numa “dificuldade em manter participações olímpicas fortes no futuro", pensando já em 2024 e 2028.

No mesmo painel, o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, acrescentou que “uma parte significativa desses atletas pertencem a dois clubes que estão a fazer uma revisão em baixa dos respetivos contratos”, aludindo aos cortes orçamentais de Sporting e Benfica.

“A um ano dos Jogos, isto introduz um fator de instabilidade na vida dos atletas que não é desejável. Por isso, apelo, se me é permitido, que se encontrem soluções que introduzam alguma tranquilidade na preparação dos atletas, designadamente no âmbito dos contratos que têm com essas entidades”, disse o presidente do COP.

A opinião de Constantino foi sustentada por João Rodrigues, que acrescentou que “não são apenas os clubes grandes que estão a racionalizar os seus apoios aos programas olímpicos, mas também os mais pequenos”, e pelo presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço, que lembrou que “os cortes num desses clubes, pelo menos, já chegaram também aos atletas paralímpicos”.

Após a declaração de pandemia, em março, várias competições nacionais e internacionais foram canceladas, suspensas, ou adiadas, entre as quais os Jogos Olímpicos Tóquio2020, que foram reprogramados para o verão de 2021.

Portugal contabiliza pelo menos 1.792 mortos associados à covid-19 em 55.211 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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