A primeira vitória de Wayde van Niekerk nos Campeonatos do Mundo de atletismo de Londres já está consumada, com uma corrida de 400 metros sem rivais, sobretudo depois de se saber que Isaac Makwala não ia para a pista.

Só o atleta do Botswana, pelas marcas que tem esta época, parecia poder ombrear com o sul-africano, atual campeão olímpico e recordista mundial, mas acabou por ser uma vítima do surto infeccioso encontrado em alguns hotéis da organização, com departamento de saúde pública inglês a obrigá-lo a uma quarentena de 48 horas (até às 14:00 de quarta-feira).

Van Niekerk ganhou em clara descompressão, em 43,98 segundos, a gerir o esforço de uma campanha que não acaba aqui, pois que ainda tem pela frente as meias-finais de 200 metros e - tudo o indica - a final dessa distância.

Dois anos depois, o sul-africano conserva a coroa e mostra que está outro a gerir o esforço. Em Pequim, chegou totalmente 'estoirado', quase a precisar de maca, agora parecia pronto para outra.

Completaram o pódio Steven Gardiner, das Bahamas, que tinha sido o mais rápido nas 'meias', com recorde nacional, e Abdelah Haroum, do Qatar, com uma grande arrancada final, a passar de sexto para terceiro na reta da meta.

Numa noite em que os favoritos nas outras provas também estiveram genericamente bem, 'destoa' o título dos 800 metros, com o francês Pierre-Ambroise Bosse a chegar finalmente a um grande título.

Bosse é tendencialmente um homem de finais (sétimo e quinto nos últimos Mundiais, quarto nos Jogos), mas nunca seria uma boa aposta para ganhar, e em Londres isso não era exceção.

O Quénia não tinha na final o recordista mundial, David Rudisha, nem o líder do ano, Emmanuel Korir, o que já indiciava uma final mais 'aberta' do que o habitual.

Bosse ganhou, em 1.44,67 minutos, e para a prata foi outro europeu, o polaco Adam Ksszczot, de novo vice-campeão mundial graças à temível ponta final. O terceiro lugar foi para a 'nova guarda' do Quénia, através de Kypegon Bett, campeão mundial de sub-20 no ano passado.

Sem surpresa nenhuma, o Quénia ganhou os 3.000 metros obstáculos, mas desta vez a colocar apenas um atleta no ‘top-3’. O novo campeão é Conseslus Kipruto, vencedor no Rio2016 (8.14,12).

Evan Jager, dos Estados Unidos, vice-campeão olímpico, liderou grande parte da corrida e bem tentou contrariar o habitual domínio africano, só que acabou por ser incapaz de acompanhar a arrancada de Kipruto e ainda do melhor dos marroquinos, Soufiane Elbakkali, caindo para terceiro.

O salto com vara ditou nova derrota para o recordista do mundo, o francês Renaud Lavillenie. O norte-americano Sam Kendricks (bronze no Rio2016) é o novo campeão.

Kendricks foi o único a passar os 5,95 metros, para assim dar o primeiro título aos norte-americanos em 10 anos - desde 2007, com a vitória de Brad Walker, que estavam 'em branco'.

Piotr Lisek, da Polónia, fica com a medalha de prata e Renaud Lavillenie não sai de mãos totalmente a abanar, já que fica com a medalha de bronze.

A única final feminina do dia foi a do lançamento do disco e marcou o espetacular regresso à ribalta da checa Barbara Spotakova, quando já não era muito esperado.

A recordista do mundo, que fora campeã uma única vez, em 2007, andava arredada dos títulos desde os Jogos de 2012. Pelos vistos, o estádio londrino é talismã, já que chegou aos 66,76.

Sara Kolak, líder do ano, foi totalmente surpreendida e fechou o concurso em quarto, atrás de duas chinesas, Lingwei Li e Huinu Lyu, que fora a melhor na qualificação, com recorde asiático.

Somente uma atleta portuguesa esteve no estádio - Lorène Bazolo, com uma presença muito discreta nas séries de 200 metros (39.ª, com 23,85).

No quadro de medalhas, continua o domínio de Estados Unidos (3 ouro/5 prata/3 bronze) e Quénia (3/1/3), com a África do Sul a chegar-se a terceiro (2/0/2).

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