O refugiado congolês Dorian Keletela assume que o desporto mudou a sua vida, ao ponto de o velocista sonhar com a ida aos Jogos Olímpicos, além de ter facilitado a sua integração na sociedade portuguesa.

“[Os outros refugiados] têm de acreditar nos seus talentos. Não há impossíveis na vida. Basta estarem focados nos seus objetivos. O programa facilitou a minha integração em Portugal. Por exemplo, neste momento estou a aprender a falar português e já o compreendo muito bem”, enaltece o atleta.

Em declarações à Lusa, Dorian elogia as virtudes do programa “Viver o desporto, abraçar o futuro” desenvolvido pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), apoiado pela Solidariedade Olímpica do Comité Olímpico Internacional (COI), que no Rio2016 estreou a inclusão nos Jogos de uma equipa de refugiados.

“O programa mudou muito a minha vida. Esta bolsa olímpica ajuda-me muito. Neste momento, tenho condições para treinar e ser um atleta de alta competição”, congratula-se o velocista que cedo ficou órfão.

Dorian, que depois de ficar sem pais ficou a viver com uma tia, alvo de perseguição política no Congo, veio sozinho para Portugal aos 17 anos. Conhecer o treinador Carlos Silva, do Sporting, abriu-lhe novos horizontes, a ponto de estar na equipa dos que, a nível internacional, vão lutar pelo apuramento para Tóquio2020 entre os refugiados.

“Ir aos Jogos Olímpicos é um sonho. É algo enorme. É um sentimento que não tem descrição. É algo imenso”, sublinha.

O congolês recorda que foi por intermédio de Carlos Silva que teve “acesso a poder discutir uma ida aos Jogos Olímpicos através do estatuto de refugiado”, destacando a iniciativa do seu técnico em contactar o COP, que posteriormente enviou o processo para o COI, que o validou e lhe atribuiu bolsa.

“Quando cheguei a Portugal, não tinha ideia de praticar atletismo. Foi quando cheguei ao gabinete de refugiados que perguntei se podia praticar desporto e foi através deste gabinete que conheci o Carlos Silva”, conta.

A pandemia da COVID-19 adiou a concretização do sonho olímpico, além de “complicar muito a preparação”, já que o atleta ficou “sem instalações ou meios para treinar”.

“Estou a fazer alguns treinos no alcatrão e em subidas para ganhar resistência física, mas, ao nível do desenvolvimento muscular, não é a mesma coisa que trabalhar com os instrumentos necessários”, lamenta o exilado político.

Dorian Keletela é um dos dois cidadãos que Portugal acolheu e o COP conseguiu incluir no projeto de Solidariedade Olímpica, a par do pugilista afegão Farid Walizadeh.

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