Com a temporada já marcada por duas importantes conquistas - Supertaça e Taça de Portugal - e uma forte prestação europeia, o treinador de basquetebol do FC Porto, Fernando Sá, mostra-se confiante no futuro da equipa. Em entrevista ao SAPO Desporto, o técnico abordou a evolução da equipa, os desafios pela frente e a importância de manter o foco emocional até ao fim da época.

Como avalia a época até agora?
Até ao momento, está a correr quase na perfeição. Conquistámos as duas competições internas e fizemos uma excelente campanha europeia. Enquanto treinador, estou muito satisfeito com a qualidade dos treinos e a preparação para cada desafio. As expectativas para o futuro são muito positivas.

Que evolução destaca na equipa desde o início da época?
A Taça de Portugal foi um ótimo exemplo. Enfrentámos adversários poderosos, com soluções defensivas e ofensivas variadas, e respondemos com rapidez e acerto nas decisões. Isso revelou a nossa estabilidade emocional e foco competitivo, mas ainda há muito trabalho pela frente para chegarmos aos playoffs na melhor forma possível.

O que falta à equipa para conquistar o título nacional?
A sorte e evitar lesões são fatores importantes, mas o mais essencial é encararmos os desafios com otimismo e confiança. O nosso maior adversário somos nós próprios. Se conseguirmos controlar as nossas próprias dúvidas e manter a concentração, estaremos mais próximos de atingir o objetivo principal.

Considera o FC Porto favorito ao título?
Somos, sem dúvida, um dos candidatos. Já conquistámos troféus esta época, mas isso ficou no passado. Agora o foco é o título nacional e, pelo meio, a Taça Hugo dos Santos. A nossa prioridade é a estabilidade técnica, tática e emocional, para não repetirmos erros do passado.

No final da Taça de Portugal, referiu a importância da mentalidade vencedora. Esse fator será decisivo nos playoffs?
Absolutamente. Nos playoffs, a resiliência é fundamental. Um mau jogo pode acontecer, mas não podemos fazer drama. A chave é usar essas situações como aprendizagem para vencer os próximos desafios e continuar na luta pelo título.

Algum jogador tem surpreendido pela evolução esta época?
O crescimento da equipa como um todo é o mais impressionante. A estabilidade emocional tem sido um ponto forte. O talento individual e coletivo sempre existiu, mas a resposta emocional às dificuldades em campo tem sido notável.

Que impacto teve a chegada de Tony Douglas à equipa?
Para além do talento e experiência, trouxe um hábito de vencer que faltava. Em anos anteriores, nos momentos de decisão, havia mais receio de perder do que vontade de ganhar. Com ele, a equipa está mais focada, motivada e determinada a vencer.

Como vê o nível competitivo do basquetebol português atualmente?
Tem vindo a crescer. O aumento do número de estrangeiros trouxe mais qualidade e competitividade. O apuramento das seleções masculina e feminina para o Europeu é reflexo dessa evolução. Precisamos agora de apostar mais na formação, criar melhores condições e focar-nos no desenvolvimento dos jovens jogadores.

A transição de liderança no FC Porto e o momento difícil do futebol aumentam a pressão sobre a sua equipa?
A pressão é constante e motiva-nos a trabalhar melhor. O peso da derrota aqui é enorme, e temos objetivos concretos a cumprir. Independentemente das diferenças de orçamento, não podemos usar isso como desculpa. Esta é uma fase de paciência e resiliência, tanto para nós como para os adeptos.

O que falta para um cenário perfeito no FC Porto?
Além de alguma sorte e evitar lesões, precisamos de manter otimismo e confiança. Controlar as nossas inseguranças e acreditar no nosso valor será decisivo para alcançarmos o título nacional.