O jogo de estreia de Cabo Verde em mundiais de basquetebol foi hoje seguido com especial atenção na casa onde foi criada uma das estrelas da seleção, Walter 'Edy' Tavares, na ilha do Maio.

“Há uma ansiedade" entre os jogadores, disse à Lusa Celestina Tavares, avó do jogador do Real Madrid, Espanha, a meio da partida frente à seleção da Geórgia.

Celestina e a mãe Linete juntaram familiares e amigos, uma dezena de pessoas, para assistirem, em direto, pela televisão, ao jogo na arena de Okinawa, Japão, um dos países anfitriões da prova.

A diferença horária fez com que o jogo marcado para as 17:00 no Japão acontecesse às 07:00 em Cabo Verde e, à hora marcada, problemas técnicos na transmissão televisiva trouxeram ainda mais ansiedade.

Cabo Verde até arrancou a ganhar, mas, quando a TV começou a transmitir o jogo, a seleção adversária da Geórgia já levava vantagem, – que chegou a 22-48 logo no final do segundo período.

“Já é uma diferença grande”, reconhecia a avó Celestina, que falou com o neto na quinta-feira, dois dias antes do jogo: “Foi só para nos cumprimentarmos, nem falámos de nada do mundial”.

Hoje, à volta da televisão, todos passaram uma manhã animada na casa onde Edy foi criado, com momentos de festa por cada cesto dos ‘tubarões’ – em especial os de Edy -, de desalento quando a Geórgia marcava.

A mãe Linete Tavares, equipada com a camisola 22 que o filho usa na seleção, mais parecia orientar a equipa, debruçada sobre o ecrã, a gesticular para dentro do campo.

Na plateia ali reunida, Carlos Tavares Soares, primo de Edy, oito anos mais velho e com experiência no basquetebol local, foi um dos que lhe deu as primeiras dicas da modalidade com os recursos que havia na ilha do Maio.

“É um orgulho para nós e para todo o Cabo Verde”, destacou.

Na mesma linha, o presidente da Câmara do Maio, Miguel Rosa, também presente, apontou o atleta como “uma inspiração”.

No final, a estreia teve um sabor agridoce: todos estavam cheios de orgulho em ver Cabo Verde ao mais alto nível do basquetebol mundial, mas o jogo terminou com uma derrota por 85-60.

Há mais dois jogos pela frente e Linete acredita que Cabo Verde vai surgir mais confiante, superando alguma “ansiedade” do primeiro jogo – análise que contava fazer ao telefone com o filho, daí a umas horas.

“Ele aceita as críticas, sim, sabe que eu estou sempre a ver os jogos”, sublinhou, entre sorrisos, já noutra rua da ilha, ao caminhar para o seu bar, onde há um canto reservado para uma galeria de fotos de Edy Tavares.

“Eu peço, ele traz as fotos e vou fazendo esses quadros”, pendurados para satisfazer a curiosidade dos clientes que procuram o bar Linete, para conhecer a mãe de Edy.

Do início de carreira nas Canárias, em 2009, passando pelos Estados Unidos (onde ficou sempre com o sonho de regresso à NBA), até às Euroligas conquistadas com o Real Madrid - a última foi este ano, onde foi premiado como melhor em campo -, está tudo na galeria, até uma foto com o craque do futebol português, Cristiano Ronaldo.

“Estou à espera, para juntar mais fotos”, refere Linete.

Se não for com a taça de campeões mundiais de basquetebol, “que seja com o melhor possível”.

Os próximos jogos de Cabo Verde no Grupo F estão marcados para segunda-feira, frente à Venezuela, e quarta-feira, com a Eslovénia, e vão ditar a passagem à próxima fase.

A final do Campeonato do Mundo de Basquetebol 2023 está marcada para 10 de setembro.

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