Clube fundado por operários, levou o basquetebol a muitos jovens dos bairros do Porto, recusou-se a 'morrer' quando foi desalojado pelo Estado Novo e, chegado aos 100 anos, é ter mais formação que norteia o Vasco da Gama.

Sem certezas, Manuel Rodrigues, presidente do clube que no dia 20 de fevereiro completa um século de existência, contou à Lusa que a origem do nome “pode estar relacionada com familiares dos fundadores que eram adeptos do Clube de Regatas do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro”, baseando-se no facto de o primeiro emblema do clube do Porto “ter a mesma cruz” do brasileiro.

Atualmente com cerca de 110 atletas a competir em todos os escalões, o clube que nos primeiros anos partilhou o Parque das Camélias com o “Cinema do Parque”, aí atraindo os jovens dos bairros das Fontainhas, Herculano e Sé, jogou durante décadas num campo de cimento, descoberto, criando aí “a maneira de jogar à Vasco”, contou à Lusa, Mário Barros, decano dos treinadores portugueses da modalidade e sócio n.º 2 do clube portuense.

“Os jovens eram cativados na rua, onde todos jogavam todas as modalidades”, contou de um tempo em que o Vasco da Gama se afirmou “com um clube de portas abertas” e que “na década de 1940 oferecia tudo, com a exceção das sapatilhas, aos seus atletas”, uma equação que fez nascer a “mística que começava assim que se começava a descer a rampa” a partir da Rua Alexandre Herculano.

“Descer aquela rampa para o pavilhão era um momento de transformação, crescia a agressividade e um desejo de superação e vontade de vencer”, explicou o antigo jogador e treinador do clube.

Esta forma de jogar trouxe títulos ao clube assim que começou a competir, vencendo o Campeonato de Portugal em 1941/42 e 1947/48, época em que venceu também a Taça de Portugal, o da I Divisão em 1950/51, e somando mais três, na II Divisão, em 1957/58, 1961/62 e 1993/94. Ao todo, são 21 títulos nacionais e 99 regionais.

Joaquim Alves Teixeira e Manuel Nunes são os nomes históricos no dirigismo do Vasco da Gama, criando uma forma de agir que superou até quando por decisão da antiga Direção Geral dos Transportes Terrestres se viu obrigado a abandonar o Parque das Camélias até à “revolução dos cravos”.

“Poucos dias depois do 25 de abril um grupo de vascaínos reivindicou, à força, a posse e nunca mais saímos. Foi cerca de uma década que fomos obrigados a jogar no campo do Ferroviário. Foi o nosso momento mais triste”, recordou Mário Barros, que aos 83 anos soma 70 como associado do clube.

Depois de em 1989 terem recebido “um apoio de 10 mil contos [cerca de 50 mil euros] da Direção Geral dos Desportos para a construção do pavilhão” a tão desejada cobertura do Parque das Camélias acabou por só acontecer em fevereiro de 2004, com o apoio da Câmara do Porto, então liderada por Rui Rio, recordou o associado.

“Mais tarde chegou o antigo piso do pavilhão Rosa Mota que acabou com os jogos no cimento e com ele uma nova era para o clube, ainda que não isenta de problemas”, disse.

Em 2019, disse à Lusa o presidente, o clube recebeu da câmara do Porto um “novo fôlego”, passando a deter o “direito de usufruto do terreno onde está o Parque das Camélias”, sendo assim “ultrapassado o facto de nunca terem tido licença de utilização daquele espaço”.

Olhando para o futuro, o dirigente quer “investir na melhoria das infraestruturas”, acabando com a perceção de que o Vasco da Gama “é um clube de elite no 3.º mundo”, ao mesmo tempo que promete lutar para pôr fim a outra “particularidade”.

“Temos jogadores com fartura em todos os escalões menos no minibasquete, até parecemos a pirâmide invertida”, lamentou Manuel Rodrigues, ciente de que a formação “é a base de qualquer clube”, prometendo, por isso, “continuar o esforço para atrair os mais pequenos” ao Parque das Camélias.

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