Um congressista norte-americano admitiu hoje a existência de uma «teoria da conspiração» no processo por suspeita de doping instaurado pela Agência Norte-Americana Antidopagem (USADA) ao ciclista Lance Armstrong, sete vezes vencedor da Volta a França.
James Sensenbrenner enviou uma carta às autoridades responsáveis pela política de controlo de drogas, na qual questiona os 10 milhões de dólares de dinheiros públicos dados anualmente à USADA, os procedimentos do organismo, as queixas feitas a atletas por alegadas violações ao código de substâncias proibidas.
O congressista republicano do Wisconsin quer ainda saber se a USADA tem sido alvo de supervisão regular.
Na carta, o congressista refere que «a alegada falta de imparcialidade gera preocupações, a todos os níveis, nos atletas, a maioria dos quais não dispõe de recursos e de suportes para contestar as ações da USADA».
Sensenbrenner admite que o «Congresso dos Estados Unidos não tem qualquer papel na avaliação de casos de doping, mas tem o direito de saber como é gasto o dinheiro dos contribuintes», e acrescenta: «a autoridade da USADA sobre Armstrong é, na melhor das hipóteses, forçada».
O chefe-executivo da USADA, Travis Tygart, garantiu que o processo de arbitragem da agência é justo para os atletas e mostrou-se disponível para discutir o financiamento público com o congressista Sensebrenner.
«O processo contra a equipa US Postal e Lance Armstrong não foi instaurado de ânimo leve. Estamos conscientes da sua popularidade e dos admiradores que tem no Capitólio e noutros lugares», afirmou.
Tygart referiu que «a missão da USADA é ‘limpar’ os atletas» e acrescentou que caso o organismo não tivesse intervindo neste caso «estaria a ser cúmplice numa evidência de doping«.
Armstrong, agora com 40 anos, foi acusado pela justiça desportiva de ter recorrido a eritropoietina (EPO), transfusões sanguíneas, testosterona, cortisona, hormona de crescimento e de ter ainda induzido outros ciclistas a utilizarem substâncias proibidas.
A USADA acusou formalmente o texano e cinco outros colaboradores, nomeadamente o seu diretor-desportivo, o belga Johan Bruyneel, ainda no ativo na RadioShack dos portugueses Tiago Machado e Nelson Oliveira, e o preparador físico italiano Michele Ferrari.

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