A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) anunciou hoje o abandono do Observatório ACP “repudiando” a realização e as conclusões de um estudo “contra a mobilidade sustentável” e acusando o grupo de não ter “qualquer credibilidade”.

“Neste sentido, a FPC informou o ACP que deixa imediatamente de estar disponível para continuar a participar numa plataforma que serve interesses contrários à promoção da mobilidade sustentável e à redução do risco rodoviário”, resume o organismo.

Em causa, um estudo hoje publicado pelo Jornal de Notícias e pela TSF “sem que a FPC, membro do Conselho Consultivo do Observatório, tivesse sido auscultada sobre a iniciativa”, sendo que esta nem sequer sabe “de que forma foram redigidas e colocadas as questões aos entrevistados”.

Além dos reparos na forma, também as críticas no conteúdo, já que a FPC entende que é “abusivo” o título de primeira página, segundo o qual os “ciclistas [são] a favor do uso obrigatório de capacete e seguro”.

A notícia “baseia-se numa sondagem cuja metodologia é, no mínimo, duvidosa, e a análise dos respetivos resultados é efetuada de forma parcelar, aparentemente servindo apenas para que o ACP possa demonstrar a sua posição”, critica a federação, que aponta ainda vários “erros grosseiros” no artigo, como os 0,5% de deslocações com bicicleta nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, quando os registos do INE em 2017 falam de 19%.

Em suma, a FPC considera que a utilização do capacete “não deve ser obrigatória, embora seja recomendável em diferentes contextos” e apesar de todos os seus filiados estarem cobertos por seguros de acidentes pessoais e de responsabilidade civil, o organismo entende, igualmente, que “os mesmos não devem ser obrigatórios”.

“Sem prejuízo da pertinência e oportunidade do tema, é lamentável a abordagem simplista e redutora do suposto estudo, que parece ter como único objetivo veicular a mensagem e os objetivos do ACP, no sentido de despromover e desqualificar a utilização da bicicleta como modo de transporte”, ataca a FPC.

A instituição recorda que aceitou o convite para integrar o Conselho Consultivo do referido Observatório em 2016, “na expectativa de colaborar com as diversas entidades que dele fazem parte, visando promover a redução do risco rodoviário e a mobilidade sustentável”.

“Ao avançar com o estudo de opinião, o ACP demonstrou uma atitude desrespeitosa, especialmente atendendo ao tema e âmbito da sondagem, que recomendaria, no mínimo, uma consulta ou informação prévia. Além disso, pretender sustentar uma posição perigosa e contrária aos objetivos da Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável”, conclui a instituição.

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