O antigo ciclista Acácio da Silva vencia, há 35 anos, a primeira das cinco etapas que conquistou na Volta a Itália, na cidade de Matera, onde hoje termina a sexta etapa da 103.ª edição, num "dia confuso".

"Foi um dia muito particular. Em primeiro lugar, estava [a cair] alguma chuva, e houve uma grande queda atrás de mim, quase todo o grupo. Aconteceu a uns 30 quilómetros da meta, numa estrada estreita, e isto além dos ventos", começa por contar à Lusa o antigo ciclista.

Nessa ligação, de 167 quilómetros, entre Foggia e Matera, os que se mantiveram em pé esperaram "por quem caiu" e voltaram depois ao andamento, passando uma primeira vez na meta antes do final.

"O meu companheiro de equipa começou a mandar vir comigo, para ir para a roda dele, para fazermos o ‘sprint'. Eu já nem queria fazer, foi um confuso. A um quilómetro, agarrou em mim, e a última curva era mesmo à esquerda", lembra.

Aí, entrou nos 10 melhores, frente a "todos os grandes ‘sprinters' daquela altura", e depois dessa curva à esquerda, viu a meta "a 400 metros" e que não tinha ninguém com ele.

"Aquilo era enorme e passei por eles todos na última rampa, os grandes ‘sprinters', o Greg LeMond... foram uns poucos. Ao passar a curva não olhei para mais ninguém, arranquei para a meta como uma flecha e ganhei, mas nem percebi. Só ao passar mesmo na linha", recorda.

Nesse 25 de maio de 1985, ao serviço da Malvor-Botecchia, registou um dos seus "três ou quatro dias num ano", como lhes chama, em que se tornava imbatível, numa época em que já tinha vencido na Copa Agostoni, em Imola, e viria a vencer dois dias depois, no ‘Giro', uma segunda etapa.

"Eu tinha assim uns três ou quatro dias num ano em que era o meu dia e mais nada. Até dizia aos meus companheiros que era assim. Nesse ano já me tinha acontecido na Copa Agostoni", afirma.

Apesar dessa confiança, "naquela altura, ganhar uma etapa na Volta a Itália, só a sonhar", porque "era muito difícil", mas percebeu que também era capaz ao "explorar o sucesso" entre os melhores do pelotão.

Nesse dia, que ficou "mesmo gravado", apesar de admitir ter ganho "outras etapas melhores", bateu vários ‘pesos pesados' do pelotão, com destaque para LeMond, três vezes vencedor da Volta a França e duas vezes campeão do mundo, que nesse ano viria a fazer terceiro na ‘corsa rosa', o seu melhor resultado na prova.

Em 1985, de resto, Acácio da Silva viveu sete das 25 vitórias profissionais no escalão internacional que conseguiu na carreira: duas no ‘Giro', além da Copa Agostoni, etapas na Volta à Suíça e na Volta à Romandia, o Giro dell'Emilia e uma etapa do Tirreno-Adriático, que terminou em segundo, num de vários anos recheados de bons resultados nas melhores provas mundiais que registou na década de 80.

Hoje, a etapa liga Castrovillari a Matera, ao longo de 188 quilómetros, e poderá dar-se nova chegada ao ‘sprint', ainda que menos nos moldes habituais em que, hoje em dia, os velocistas disputam uma etapa.

Certo é que um português volta hoje a ‘brilhar' na ‘corsa rosa', com João Almeida (Deceuninck-Quick Step) na liderança da geral há três dias, mais um do que Acácio da Silva tinha conseguido em 1989, quando também a conquistou no Monte Etna.

As carreiras dos dois portugueses começam este ano a convergir: há 35 anos, outra das vitórias célebres do agora ex-ciclista foi no Giro dell'Emilia, que Almeida terminou em segundo, e foi quarto na Semana Internacional Coppi e Bartali, em que, este ano, o jovem da Deceuninck-Quick Step acabou em terceiro.

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