Maxime Daniel (Sojasun) estragou hoje os planos de Manuel Cardoso, ao ganhar ao "sprint" a sexta etapa, em Castelo Branco, dias depois de pensar desistir da 75.ª Volta a Portugal em bicicleta.
«É extraordinário ter vencido hoje. É uma boa experiência», garantiu o francês, assumindo que na quarta etapa chegou a pensar em abandonar a maior prova velocipédica nacional.
A alegria de Daniel, que cortou a meta com o tempo de 4:34.36 horas, contrastou com a desilusão de Manuel Cardoso, que “matou" a sua Caja Rural a trabalhar, mas não conseguiu os preciosos 25 pontos que lhe dariam uma maior segurança na liderança da camisola por pontos.
«Por hoje está assegurada, mas não queria os 16 pontos, queria os 25. Vêm aí dias muito duros e tenho os homens da montanha muito perto», lamentou o vencedor da quinta etapa.
Castelo Branco não faltou ao seu encontro anual com a Volta a Portugal, com tudo aquilo que uma etapa que aí acaba tem direito: calor, muito (as temperaturas nunca baixaram os 40 graus), e uma longa fuga para animar os 180 quilómetros desde a Sertã.
Aos 12 quilómetros, André Mourato (LA-Antarte), Carlos Oyarzun (Louletano-Dunas Douradas), Jean-Lou Paiani (Sojasun), Pavel Kochetkov (Rusvelo) e Amaro Antunes (Ceramica Flaminia) criaram uma "coligação" de circunstância, que chegou a ter cerca de seis minutos de vantagem para o pelotão.
Mas Manuel Cardoso, obcecado com a ideia de amealhar o máximo de pontos possíveis para manter a camisola vermelha, naquela que era a penúltima oportunidade para os "sprinters", colocou, outra vez, a sua Caja Rural a trabalhar na frente.
Tal como em Oliveira do Bairro, a equipa espanhola foi bem sucedida, apanhando os últimos dois resistentes, Paiani e Kochetkov, que chegaram a se enganar no trajeto, já dentro de Castelo Branco, um momento que ninguém viu, a não ser os próprios ciclistas, já que a emissão da RTP falhou nos últimos três quilómetros e não foi possível ver em direto a chegada.
A longa reta em empedrado, que se sucedeu a uma perigosa curva, situada a apenas 300 metros de meta, estava reservada para os "sprinters" e eles apareceram todos – menos Gerald Ciolek, que já tinha cedido ao calor e descolado -, com o francês da Sojasun a ser o melhor.
«As outras equipas dos `sprinters´ queriam fazer a junção para discutir a vitória ao `sprint´. Nós aproveitámos o trabalho delas e toda a Sojasun ficou comigo, porque estava bem para discutir a vitória. Os rapazes fizeram um trabalho fantástico. O Engoulvent colocou-me na frente na última curva. Só tive de fazer os últimos 300 metros e procurar a linha da meta», resumiu o corredor de 22 anos.
Profissional desde 2011, Maxime Daniel conquistou o segundo triunfo da sua carreira e cumpriu o plano de rota da equipa francesa, que queria a todo custo ganhar em Castelo Branco.
A superioridade do francês, que fez segundo em Aveiro, deixou dois portugueses desiludidos. Fábio Silvestre, terceiro atrás do italiano Andrea Piechele, da Ceramica-Flaminia, queixou-se de ter sido “entalado”, Manuel Cardoso de ser o único a querer ganhar.
«Sinto-me triste pelos meus companheiros. Matei a equipa a trabalhar e não consegui ganhar. Estou frustrado. Fomos a única equipa a querer ganhar, os outros só estavam preocupados em vigiar-me», acusou o quarto classificado.
Cardoso está preocupado com os dias que aí vêm e não admira. Na quinta-feira, inicia-se a tríade da Serra da Estrela, com uma desgastante etapa entre as Termas de Monfortinho e Gouveia, num total de 176,3 quilómetros, que incluem uma contagem de primeira categoria nas Penhas da Saúde e uma de segunda nas Penhas Douradas.
Começa aí a última fase da 75.ª Volta a Portugal, o verdadeiro teste à liderança do espanhol Sergio Pardilla (MTN-Qhubeka), que tem o segundo classificado, o português Rui Sousa, com o mesmo tempo e o terceiro, o espanhol Gustavo Veloso, a sete segundos.

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